Sociedade

Seis dicas para cobrar inadimplentes

Localizar clientes, negociar com tranquilidade, firmar bons acordos, e, sobretudo, receber; este é o sonho de qualquer cobrador. Entretanto, para se chegar a esse nível é preciso muito preparo. Um bom cobrador, como diria o francês, Paul Valery, é aquele que sabe ser flexível e inteligente, veja: “Um homem de negócios é um cruzamento entre um dançarino e uma máquina de calcular.” Negociar exige muito jogo de cintura e um raciocínio rápido para não perder de vista o foco que é converter a situação e transformar o inadimplente em pagador.
Um grande diferencial dos bons negociadores está em assumir uma postura ética – Sim, ser ético envolve assumir comportamentos condizentes com a identidade cultural da empresa, seus valores morais e suas responsabilidades para com a sociedade. De nada adianta uma parte da empresa tratar bem os clientes até o momento que são bons pagadores e, a partir do instante que ser tornam devedores, outra parte da empresa tratam-nos com inimigos mortais com direito a serem ofendidos e humilhados.
Portanto, assuma uma postura profissional. Demonstre confiança e segurança em suas palavras. Assuma uma postura auxiliadora para conseguir ser ouvido em suas propostas. Abaixo, segue alguns itens importantes para melhorar suas negociações:
1. Jamais faça ameaças – Os clientes conhecem causas e consequências de serem devedores. As ameaças não ajudam muito no processo.
2. Nunca trate o cliente com indiferença ou altere o tom de voz – Você não ligou para brigar, seu contato é para negociar. Comece bem.
3. Não use palavras de baixo calão ou gírias – Ninguém pode representar uma empresa séria com comportamentos hostis e vocabulário inadequado.
4. Mostre-se sociedade. colaborador, escute antes de falar – Talvez o cliente já tenha procurado a empresa para negociar, ou esteja esperando por melhores condições. Afinal, ninguém gosta de estar nesta situação. Então, obtenha informações, ouça para poder fazer uma boa oferta.
5. Não se envolva emocionalmente – Alguns clientes podem se emocionar ao telefone, chorar e contar histórias tristes. Mantenha o foco e não se envolva. Procure ser imparcial sem ignorar os lamentos do cliente.
6. Busque soluções para ambas as partes demonstrando interesse em ajudar – O cliente deve sentir que a sua empresa merece confiança e ele deve cumprir com sua parte. Agindo de maneira ética podemos chegar a um entendimento favorável, sem arranhar a imagem de nossa empresa.
Administradores

Como criar, manter e desfazer uma sociedade

Em relação à sociedade nos negócios aplica-se, com muita propriedade, o que o poeta Vinícius de Moraes falava em relação ao amor. É bom enquanto dure. E também nela (a sociedade) é fundamental conhecer um pouco da arte de criar, como mante-la, mas, principalmente, como terminá-la quando se esgote.
Em meu livro “Manual de sobrevivência para sócios e herdeiros”, que contém importantes e significativos depoimentos de empresários brasileiros, falo sobre o que a prática tem mostrado ser uma das grandes dificuldades nas sociedades. Entender que uma boa maneira de preservá-la é ter claros os mecanismos e disposição para dissolve-la. Ou seja, um dos segredos para continuar juntos é saber que é possível sair da relação sem necessidade de litígios ou disputas.
É evidente também que torna-se útil ter consciência sobre que tipo de sociedade as partes constituíram. Muitos problemas ocorrem porque não existe clareza entre os componentes sobre as razões que os levaram a juntar-se. E mais ainda quando estes motivos ao longo do tempo desapareceram, ou foram alterados. Este é o tema deste artigo que tem a finalidade de servir de reflexão e análise, tanto para aqueles que estão pensando, ou constituindo uma sociedade. Mas também para os que se encontram em meio a uma crise na sua sociedade.
Transições
O que leva duas ou mais pessoas à unirem-se em uma sociedade no mundo dos negócios? A resposta à esta pergunta tem muitas alternativas. Alguns se juntam em função de uma forte amizade. Outros, pela identificação de interesses e princípios. Um casal considera que a sociedade pode ser uma extensão do seu relacionamento conjugal. Herdeiros terminam mantendo um vínculo societário na medida que recebem um patrimônio ou negócio vinculado pelos direitos e obrigações da herança. Desempregados consideram as vezes que o espírito de solidariedade os uniu no problema, e a sociedade pode ser a solução. Alguns buscam parceiro pela falta de coragem ou temor de iniciar algo sozinhos. Irmãos entendem que entre buscar um estranho, porque não iniciar alguma atividade com alguém do seu conhecimento e confiança. Outros ainda consideram que juntos poderão ganhar muito mais, e mostram-se dispostos a dividir um “bolo possível”.
Enfim, as razões que levam as pessoas a juntar-se podem emergir de formas as mais distintas possíveis. E embora não esteja aí a razão de muitos fracassos nas sociedades, é bom ter clareza neles para facilitar a administração das primeiras dificuldades.
Costumo comparar a sociedade com algumas das etapas de um casamento. E a primeira fase é tipicamente de um namoro. Tudo são virtudes e não se falam nem observam defeitos. Muito menos se realiza alguma reflexão do tipo: Quais são nossos objetivos de vida? Quais são nossas crenças e valores? O que esperamos de uma sociedade?
Segue-se o noivado, que procura estabelecer algumas formalizações tais como a documentação, local, divisão dos papéis, aportes, investimentos, etc. Alguns passam diretamente do namoro para o casamento. E à partir desta hora é que começam algumas descobertas. Passado o período de lua de mel vem a fase em que se exigem concessões mútuas. E a descoberta dos pequenos, mas também dos grandes, defeitos ou pequenas virtudes. Ou seja, as diferenças emergem. E dependendo da fase da sociedade ela pode estar mais, ou menos, vulnerável às observações e comentários de maridos, esposas, amigos ou subordinados. Aliás, dentro da estrutura ocorrem também as comparações feitas pelos auxiliares. E em muitos casos elas terão um peso bastante significativo. Tanto para ficar juntos ou como estopim dos primeiros conflitos.
Carga de trabalho, divisão das tarefas, retiradas, dedicação, grau de risco que cada um está disposto a correr são alguns assuntos que merecem atenção. Por esta razão é fundamental que, ao constituir uma sociedade, as partes dediquem um bom investimento de tempo em dialogar sobre seus interesses, valores e princípios de vida. A idéia da complementaridade – habilidades diferentes e complementares – que é muito utilizada como forma de criar, e manter, uma sociedade, aplica-se apenas no campo do trabalho. E mesmo assim não é uma solução permanente para todas as mudanças pelas quais a mesma vai passar. Mas em relação aos princípios, não existe complementaridade. O que deve existir é uma clara coesão de ideologias. Não vai funcionar uma sociedade onde um é ambicioso e outro moderado nos seus desejos. Nem muito menos uma em que o papel de ganancioso é representado por uma das partes. Ou seja, em questões de valores deve haver uma clara e bastante debatida afinidade. As sociedades entre “espertos” e honestos não dura muito tempo. Ela se auto-dissolve, ou implode, causando infelicidade à todas as partes.
É claro também que existem grandes diferenças, com graus de riscos alternados, entre os diferentes tipos de sociedade. Um casal que misture sua relação conjugal com negócios tem poucas chances de sucesso. Mas é bom lembrar que esta divisão muitas vezes é meramente artificial. Uma sociedade onde um entra com o capital e o outro com o trabalho também tem vida curta. Salvo que sua configuração seja alterada.
Enfim, é fundamental o diálogo permanente como forma de renovar o modelo da sociedade. O que quero dizer com esta afirmativa resume-se nas seguintes recomendações:
Tenha clareza da diferença que existe entre os interesses do coletivo (a sociedade) e aspirações e vontades individuais. Elas devem estar compatibilizadas. Nenhuma sociedade sobrevive sem a realização da felicidade pessoal das suas partes.
Tenha uma atenção constante sobre os conflitos que possam surgir. Muitas vezes o modelo que foi válido na criação da sociedade esgotou-se ao longo do tempo. E torna-se útil repensar o modelo como forma de preservar a relação. Não devemos esquecer que assim como as pessoas são dinâmicas nos seus interesses e momentos de vida, também uma sociedade sofre mudanças. É importante estar atento à elas.
Fixe, com toda clareza possível, as formas de sair ou extinguir uma sociedade, sem a necessidade de um processo litigioso. Não esqueça que uma das melhores e mais saudáveis formas de ficar juntos é ter clara a forma de separar-se. Pode parecer um contra-senso, mas é a mais pura realidade. Toda cisão ou separação tem dor. Mas ela não precisa ser traumática. Ao longo da vida os interesses se alteram e não existe nenhuma razão que dois ex-ótimos sócios devam tornar-se inimigos.
Enfim, não existe nenhuma receita mágica para ficar juntos. O que vai ajudar sempre é tão singelo como manter o diálogo e a transparência. E na sociedade ela exige manter duas perspectivas. A coletiva (sociedade) e aquela decorrente das individualidades. Isto pode ajudar a preservá-la enquanto viabilize a felicidade das partes. Ou seja, enquanto dure.
Administradores

Sistema CNPJ tem parada programada entre os dias 23/9 e 26/9

Entre o dia 23/9/16 (sexta-feira), a partir de 21h, e o dia 26/9/16 (segunda-feira), até 7h, está programa a parada do Sistema CNPJ, no ambiente do Serpro. Referida parada é necessária para a implantação de nova versão do CNPJ e tem previsão de impactos em alguns sistemas que utilizam o CNPJ, conforme detalhado a seguir.
Descrição da mudança:Manutenção evolutiva do CNPJ, para criação de nova natureza jurídica.
Objetivo da mudança:Criação da nova natureza jurídica 232-1 – SOCIEDADE UNIPESSOAL DE ADVOCACIA.
Impactos Previstos:
– Indisponibilidade das bases do CNPJ para atualizações cadastrais;
– Indisponibilidade dos aplicativos de Coleta do CNPJ (Cadastro Sincronizado); e – Indisponibilidade do MEI.
Janela de Manutenção:
Período: dia 23/9, às 21h, até 26/9/2016, às 7h.
Sistemas afetados:
Cadastro Sincronizado;
CNPJ – Cadastro Nacional Pessoa Jurídica;
Portal MEI (MDIC); e
Rotinas do BACEN, Rotinas da CVM e Rotinas do TSE (todos os aplicativos que atualizam o cadastro CNPJ).
Não haverá indisponibilidade das consultas realizadas na base do CNPJ.
Receita Federal

A responsabilidade dos sócios na sociedade limitada

A sociedade empresária limitada é uma das mais recentes formas societárias existentes no ordenamento jurídico pátrio e representa aproximadamente 90% das sociedades brasileiras. Este tipo societário é o mais escolhido entre os empresários por cinco razões, são elas: (i) atende tanto aos interesses dos médios como dos pequenos empresários; (ii) suas características e exigências legais são bem mais simples, comparadas às sociedades anônimas; (iii) trata-se de uma sociedade contratual, ou seja, há pouca interferência estatal, na medida em que os próprios sócios, definem através do contato social e acordo de quotistas, sua atuação, forma de participação e integralização de capital social, bem como a gestão empresarial; (iv) simplicidade administrativa, haja vista menor custo contábil e gerencial; e (v) a limitação da responsabilidade dos sócios.
Dentre todas essas razões a que mais atrai o empresário é a responsabilidade dos sócios, que neste modelo é restrita ao valor de suas quotas sociais, desde que estas sejam efetivamente subscritas e integralizadas, o que traz maior segurança e liberdade ao empreendedor.
Assim, insta consignar que todos os sócios respondem solidariamente para completar o pagamento do capital social.
Outro ponto importante é que os sócios que explicitamente aprovarem deliberações contrárias à legislação ou ao ato constitutivo (contrato social) responderão ilimitadamente pelos seus atos, significando dizer que seus bens pessoais poderão ser “contaminados”.
A responsabilidade poderá ser ilimitada também quando restar comprovada a confusão da pessoa jurídica, isto é, na ocorrência de situações onde os rendimentos da sociedade forem utilizados para quitar despesas pessoais dos sócios. Para estes casos, nossos Tribunais já aplicavam a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica, e, agora, com a autorização legal trazida expressamente pelo Código Civil de 2002 isso tornou-se pacífico.
É importante esclarecer que a administração da sociedade limitada, pode ser exercida por não-sócio, ou seja, através de mandatário, desde que haja expressa autorização nesse sentido, contemplada pelo contrato social.
Assim, os administradores, sócios ou não da sociedade empresária limitada, respondem, entre outras coisas, pelos débitos enquadráveis como dívida ativa, de natureza tributária ou não- tributária.
Ainda, quando a sociedade limitada estiver sujeita à regência supletiva do regime das sociedades anônimas, a empresa responderá por todos os atos praticados pelo administrador em seu nome, sendo certo que poderá ingressar com ação requerendo ressarcimento dos prejuízos em face do administrador que excedeu seus poderes.
Portanto, podemos concluir que a responsabilidade limitada dos sócios neste tipo societário, deve ser avaliada com muita cautela, uma vez que poderá se tornar ilimitada quando os sócios deliberarem de forma contraria a lei, ao contrato social e em relação a débitos de natureza tributária, trabalhista e previdenciária, o que se faz com base na legislação tributária, previdenciária e com o apoio da jurisprudência trabalhista.
Administradores