SELIC

Juros caem para o menor patamar da história

Pela décima vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu, nesta quarta-feira, 6/12, a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, de 7,5% ao ano para 7% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.
Com a redução, a Selic atinge o menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, anteriormente o nível mais baixo da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015.
Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.
Apesar do corte, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom reduziu a Selic em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 ponto em outubro e para 0,5 ponto na reunião de hoje.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,42% em outubro. Nos 12 meses terminados em outubro, o índice acumula 2,7%, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%.
Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%.
Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.
Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), o Banco Central tomou a atitude mais correta “porque a inflação está até abaixo do limite inferior da meta”. O próximo passo, segundo ele, é recuperar a produção e o emprego.
Para o ano que vem, Burti espera que, quando o Congresso aprovar a reforma previdenciária, o BC faça uma ou duas reduções na taxa Selic.
INFLAÇÃO
No Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2017 em 3,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,03%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis.
Até agosto do ano passado, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas; e o de alimentos como feijão e leite contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos. De lá para cá, no entanto, a inflação começou a cair por causa da recessão econômica e da queda do dólar.
CRÉDITO MAIS BARATO
A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica.
Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 0,89% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2017. A estimativa está superior à do último Relatório de Inflação, divulgado em setembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 0,7% este ano.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.
Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

Juros Básicos caem a 9,25% ao Ano

O Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em um ponto percentual, para 9,25% a.a., sem viés.
A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:
O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom permanece compatível com estabilização da economia brasileira no curto prazo e recuperação gradual. O recente aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia impactou negativamente índices de confiança dos agentes econômicos. No entanto, a informação disponível sugere que o impacto dessa queda de confiança na atividade tem sido, até o momento, limitado;
O cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global tem se recuperado gradualmente, sem pressionar as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes. Além disso, houve arrefecimento de possíveis mudanças de política econômica em alguns países centrais;
O comportamento da inflação permanece favorável com desinflação difundida, inclusive nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Até o momento, os efeitos de curto prazo do aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia não se mostram inflacionários nem desinflacionários;
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 3,3% para 2017 e para 4,2% para 2018 e encontram-se em torno de 4,25% para 2019 e 4,0% para 2020; e
No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom recuaram para em torno de 3,6% para 2017 e 4,3% para 2018. Esse cenário supõe trajetória de juros que alcança 8,0% ao final de 2017 e mantém-se nesse patamar até o final de 2018.
Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros em um ponto percentual, para 9,25% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária.
O Copom ressalta que a extensão do ciclo de flexibilização monetária dependerá de fatores conjunturais e das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira. O Comitê entende que a evolução do processo de reformas e ajustes necessários na economia (principalmente das fiscais e creditícias) é importante para a queda das estimativas da taxa de juros estrutural. Essas estimativas continuarão a ser reavaliadas pelo Comitê ao longo do tempo.
O Copom ressalta que a manutenção das condições econômicas, até este momento, a despeito do aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia, permitiu a manutenção do ritmo de flexibilização nesta reunião. Para a próxima reunião, a manutenção deste ritmo dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo. O ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.
Destaques Empresariais

Expectativa é por corte maior da Selic

Ao encerrar nesta quarta-feira (26/07), a sua reunião de número 208, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá anunciar mais uma redução da taxa de juro de referência da economia brasileira (Selic).
Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), espera que o Banco Central (BC) corte a taxa Selic em 1,25 ponto percentual (p.p.).
“O consenso do mercado é de corte de um ponto percentual, mas o desejável é que seja de 1,25 p.p, considerando que a inflação, no acumulado dos 12 meses, já está abaixo do limite inferior da meta, como mostrou a prévia do IPCA de julho.”
Segundo Burti, a recuperação econômica está mais lenta do que se imaginava.
“Derrubando a Selic para 9% ao ano, o BC estimularia as vendas, a produção e a arrecadação federal, adotando um jogo cooperativo, em que todo mundo ganha. E há justificativas técnicas para isso”.
Para o presidente da ACSP, a inflação está caindo muito mais rapidamente do que os juros. E quanto mais isso acontece maiores ficam os juros reais, o que inibe o consumo e o financiamento no setor produtivo.
Ele comenta ainda que uma redução de um ponto não seria de todo ruim, pois o BC indicaria a intenção de prolongar o ciclo de quedas dos juros, estendendo os cortes para o início de 2018, sem interrupções.
“Pode ser também uma sinalização de que o órgão monetário está preocupado com o andamento da reforma previdenciária e com a capacidade do poder público de cortar gastos”.
A expectativa do economista da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos (Acrefi), Nicola Tingas, é que esse corte seja de 1 ponto percentual.
Dado que a previsão é a mesma esperada pela maioria esmagadora do mercado, Tingas avalia que a nota que se seguirá ao término da reunião será mais comedida – e que os olhos dos agentes deverão se fixar sobre a ata da reunião a ser divulgada na semana que vem.
“A questão fundamental será a ata porque a nota será um pouco mais comedida”, reforçou.
De qualquer forma, disse, o mercado e a Acrefi já veem a Selic em 8% para o final do ano. “Para o fim do ano que vem estamos com projeção de 7,5%”, disse o economista. “A dúvida do mercado é até onde o BC pode ir”, completou.
Diário do Comércio

RFB Regulamenta o PERT

Através da Instrução Normativa RFB 1.711/2017 foi regulamentado o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Podem ser liquidados na forma do Pert os débitos tributários vencidos até 30 de abril de 2017, constituídos ou não, provenientes de parcelamentos anteriores rescindidos ou ativos ou em discussão administrativa ou judicial, devidos por pessoa física ou pessoa jurídica de direito público ou privado, inclusive a que se encontrar em recuperação judicial.
O pagamento da dívida poderá ser feita em até 175 (cento e setenta e cinco) prestações mensais e sucessivas, com reduções de multas e juros.
O sujeito passivo poderá optar por pagar à vista ou parcelar na forma do Pert os saldos remanescentes de outros parcelamentos em curso.
Há também a possibilidade de utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL e de outros créditos próprios relativos a tributo administrado pela RFB, com a liquidação do saldo remanescente, em espécie, pelo número de parcelas previstas para a modalidade pretendida.
A adesão ao Pert é formalizada mediante requerimento protocolado exclusivamente no sítio da RFB na Internet, no endereço http://rfb.gov.br, a partir do dia 3 de julho até o dia 31 de agosto de 2017, e abrangerá os débitos indicados pelo sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável.
O valor de cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da adesão até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativo ao mês em que o pagamento for efetuado.
Débitos que Não Podem ser Parcelados
Não podem ser liquidados na forma do Pert os débitos:
I – apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006;
II – apurados na forma do regime unificado de pagamento de tributos, de contribuições e dos demais encargos do empregador doméstico (Simples Doméstico), instituído pela Lei Complementar nº 150, de 1º de junho de 2015;
III – provenientes de tributos passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de sub-rogação;
IV – devidos por pessoa jurídica com falência decretada ou por pessoa física com insolvência civil decretada;
V – devidos pela incorporadora optante do Regime Especial Tributário do Patrimônio de Afetação instituído pela Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004; e
VI – constituídos mediante lançamento de ofício efetuado em decorrência da constatação da prática de crime de sonegação, fraude ou conluio, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964
Blog Guia Tributário

Selic pode reajustar o crédito de PIS e COFINS

Pouca gente sabe, mas a Selic poderá ser usada para correção monetária, dos créditos de PIS e COFINS que deixarem de ser usados por ato proibitivo da administração fazendária ou simplesmente para as empresas que acumularem tais créditos dentro de suas atividades.
Essas situações de não aproveitamento de créditos de PIS e COFINS ocorrem com muitos contribuintes, e os prejudica, pois impede que o crédito dessas contribuições seja apropriado em seu tempo oportuno.
Então o contribuinte tem de buscar no litigioso uma forma de recuperar esses créditos, o que leva tempo e custos a empresa, sem contar que só pelo não aproveitamento do crédito em período devido, já gera prejuízos não esperados.
Portanto nestes casos, nada mais justo que os valores que não foram utilizados a título de crédito das contribuições, sejam atualizados com juros de mora pela Selic.
O motivo seria compensar o contribuinte por todos esses despendios sofridos indevidamente, pelo excesso de burocracia nas recuperações de crédito.
Importante lembrar que essa atualização monetária vale tanto para os processos judiciais como os administrativos.
E a atualização pela Selic é cabível para as quantias a serem ressarcidas pelos pedidos de ressarcimento, que não tiverem seu processo analisado em até 360 dias.
Na hipótese de pedido ainda não analisado dentro do prazo legal, infelizmente o STJ ainda não decidiu qual seria o marco inicial para a contagem da atualização dos valores, e a tratativa desse marco tem sido adotado de maneiras diversas em instâncias inferiores.
A fazenda também não está fazendo a compensação destes valores atualizados pela Selic de forma automática, então para obter esse reajuste o contribuinte terá de recorrer novamente ao judiciário.
A solução encontrada por muitas empresas nestas situações, é já enviar junto ao pedido de ressarcimento um pedido de atualização dos valores referentes a correção monetária das contribuições.
Ou então, nos casos em que o interesse maior é pelo reembolso da atualização da Selic, algumas empresas tem ajuizado ações declaratórias para reconhecer o direito da empresa, caso extrapolado os 360 dias de análise, da aplicação do reajuste da Selic desde o momento do envio dos protocolos.
Isso garante que a Receita Federal será obrigada a efetuar a restituição dos valores atualizados de forma a englobar assim todos os 360 dias de espera pela análise da situação.
Essas ferramentas a disposição do contribuinte são muito importantes, pois sabe-se que hoje não é nada fácil conseguir a análise de um processo de ressarcimento dentro do tempo devido, e consequentemente o pagamento dessas contribuições pela fazenda, o contribuinte muitas vezes tem que entrar com um mandado de segurança em face ilegal de mora contra o Delegado da Receita Federal, que está encarregado da análise para conseguir os seus direitos.
E depois quando consegue seus valores de volta, ainda tem de sofrer com a defasagem pelo tempo perdido.
Por isso é sempre interessante para as empresas do regime não cumulativo ter uma boa assessoria jurídica tributária, pois com o auxílio de um bom advogado dessa área, a empresa com certeza estará mais preparada quanto a recuperação de valores perante a Fazenda.
Contabilidade na TV

Pazes com o Leão

O governo federal sancionou no último dia 4 a Medida Provisória (MP) 766/2017, que cria o Programa de Regularização Tributária (PRT) para o parcelamento de débitos em até 120 meses, mas a medida não agradou inteiramente a empresas e representantes de assessoria contábil. Diante da crise que afeta tanto o mercado quanto os cofres públicos, o Ministério da Fazenda optou por não oferecer descontos em multas e juros para quem aderir, o que gerou críticas pela suposta falta de compreensão da União pelo momento difícil de todos os setores econômicos.
O impasse não impede que contabilistas orientem o devedor a aderir ao PRT, voltado também para pessoas físicas. No mínimo, trata-se da ampliação do prazo de um parcelamento ordinário de 60 para até 120 vezes. Para os que declaram o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pelo lucro real, também é possível usar créditos de prejuízo fiscal acumulado e débitos da Receita Federal para abater a dívida. Há ainda a chance de migrar dívidas anteriores para o programa.
Advogado tributarista em Londrina, Lucas Ciappina de Camargo afirma que é preciso que o empresário procure uma consultoria especializada para escolher a melhor opção diante da situação do empreendimento. São quatro modalidades possíveis para débitos tributários com a Receita, que podem ou não exigir uma entrada, por exemplo, e mais dois para dívidas não tributárias com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (veja mais em quadro nesta página). Neste caso, contudo, é preciso abrir mão de ações judiciais que contestem saldos devedores anteriores.
FÔLEGO FINANCEIRO
As parcelas mínimas são de R$ 200 para pessoas físicas e R$ 1 mil para jurídicas, com correção pela taxa Selic acrescida de 1 ponto percentual. “O empresário só vai levar vantagem porque amplia o prazo de pagamento para até dez anos, mas, principalmente pela crise, a inadimplência aumenta muito e já é uma vantagem”, diz Camargo. Ele considera o PRT como um “quase Refis”, justamente por não prever descontos em multas e juros. “Poderia ser melhor, mas, como ainda vai passar pelo Congresso, pode ocorrer alguma alteração nesse sentido”, afirma.
O diretor político-parlamentar da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Valdir Pietrobon, acredita que, caso não sejam oferecidos descontos, o PRT não terá muitas adesões. “Quem precisa de um fôlego financeiro nesse período é o empresário e, por mais que o governo esteja com o caixa vazio, não vai receber se não tiver benefícios.”
Pietrobon também sugere a adesão aos devedores. “A Receita vai ter de normatizar o programa, o que demora uns 30 dias, e depois vai para o Congresso, que é quando vamos buscar negociar um Refis. Porque, se é ruim para o governo dar um desconto hoje, pode ser pior no futuro se a empresa tiver de fechar ou demitir mais funcionários”, diz.
Para gigantes
Do jeito que está, o PRT é mais apropriado apenas às grandes empresas, na visão do diretor da Fenacon. Isso porque são os empreendimentos de maior porte que costumam declarar o IRPJ pelo lucro real, enquanto pequenos e médios acabam por optar pelo Simples ou pelo lucro presumido. “Fizemos um mutirão do Simples com o Sebrae e mais de 300 mil pequenas empresas aderiram. A estimativa é que somente as microS e pequenas tenham R$ 23,8 bilhões em débito com o governo”, cita Pietrobon.
Para ele, o governo deveria propor ao menos um sistema em que a empresa pagasse um percentual em relação ao faturamento para saldar a dívida. “Com a economia aquecida, só o parcelamento poderia ser uma opção, mas, com a crise, não.”
Crise fomenta dívidas
O período de crise pelo qual o País passa faz com que aumente o número de empresários que deixam de pagar impostos para evitar o fechamento dos negócios, na opinião dos analistas ouvidos pela FOLHA. Eles negam que os inadimplentes sejam beneficiados porque dizem que ninguém escolhe ter dívidas. “A única vantagem que a pessoa leva é ter até dez anos para pagar parcelado”, diz o advogado tributarista Lucas Ciappina de Camargo. Ele considera que não se trata de se aproveitar da situação, mas de necessidade. “Com a crise, o número de devedores aumenta muito e o empresário que faz isso faz por desespero”, diz Camargo.
O diretor político-parlamentar da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Valdir Pietrobon, considera que é preciso compreensão e, por isso, pede também descontos em multas e juros. “Tem quem fale que quem pagou em dívida levou a pior, mas estamos em um País em crise onde é necessário que todos deem as mãos para sairmos dessa situação.”
Pietrobon afirma que é preciso relevar o prejuízo aos cofres da União pela tentativa de se manter no mercado. “Entre pagar imposto e deixar a empresa aberta, é melhor pagar somente o salário e o imposto retido na fonte”, sugere. (F.G.)
Fenacon

O País da Renda Fixa!

Não é de hoje que o Brasil é conhecido como o país da renda fixa! Com a taxa de juros a 14,25% ao ano, o Brasil só fica atrás de países como Venezuela, Irã, Moldávia, Cazaquistão, Uganda e alguns outros.
Como você deve ter percebido, nenhum país minimamente desenvolvido ou sério tem taxa de juros maior que a nossa. Ou seja, temos um potencial econômico de primeiro mundo, mas uma taxa de juros de terceiro mundo.
Essa anomalia faz com que muitos investidores estrangeiros escolham nosso país para aportar seus recursos. Mesmo com elevada inflação, desemprego em alta, economia em recessão, crise política interminável e com a velha insegurança jurídica que insiste em atormentar os estrangeiros que por aqui aportam seus recursos, em se tratando de investimento “livre de risco” continuamos sendo um oásis no meio do deserto.
Apesar do prejuízo que uma SELIC elevada trás à economia do país e às contas públicas, para a população que tem dinheiro guardado e não sabe aonde investir, essa pode ser uma excelente oportunidade de obter boa rentabilidade sem correr muitos riscos.
Com a taxa de juros elevada, os ativos de renda fixa tendem a ter sua rentabilidade aumentada por acompanharem esse movimento de mercado. Resultado? Títulos do Tesouro, LCIs, LCAs, CDBs e outros produtos estão remunerando muito bem os investidores.
Se o seu dinheiro está parado na poupança ou se você pretende iniciar em breve no mundo dos investimentos, considere alocar uma fatia do seu capital em ativos de renda fixa. Assim, você conseguirá obter uma rentabilidade superior estando submetido ao mesmo nível de risco.
No entanto, é preciso ter atenção para alguns detalhes importantes. Nas aplicações em que incidem imposto de renda, como Títulos do Tesouro e CDBs, o ideal é que seu capital fique investido por, mais de dois anos, pois assim você pagará a menor alíquota de imposto – 15% sobre o ganho de capital.
Em se tratando de renda fixa, bancos e financeiras de menor porte tendem a remunerar melhor o capital investido do que as grandes instituições. Dependendo do produto e da instituição, essa diferença pode representar um ganho substancial ao longo de alguns anos. Portanto, antes de investir no primeiro produto que seu gerente te indicar, compare com produtos de outras instituições de menor porte para ver qual a melhor opção para seu bolso.
Nunca é demais lembrar que o Banco Central possui um instrumento denominado FGC – Fundo Garantidor de Crédito. Esse instrumento assegura que, caso a instituição financeira tenha problemas que a impeça de honrar seus compromissos, o Banco central irá ressarcir cada CPF até o limite de R$250 mil.
Fique atento aos detalhes citados e você estará muito próximo de investir seu dinheiro de maneira correta, segura e ainda por cima, obter um belo retorno financeiro.
Antes que você diga que não tem dinheiro para investir, lembro-te que, atualmente, com menos de R$50 é possível investir em alguns produtos de renda fixa.
E agora, qual a sua desculpa?
Revista Incorporativa

Copom mantém em 14,25% taxa básica de juros da economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve inalterada, em 14,25%, a Selic, taxa que serve de referência para os juros cobrados de pessoas físicas e empresas no Brasil. O índice é o maior desde outubro de 2006. A decisão foi unânime e sem viés de alta ou baixa.
“O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016”, informou o banco, em nota divulgada nesta quarta-feira (2).
A Selic é usada pelo BC para controlar a inflação, que neste ano deve atingir 9,28%, acima do dobro da meta de 4,5% estabelecida pelo governo. Tal patamar só será atingido em 2016, segundo o banco.
Ao elevar o juros, o BC torna o crédito mais caro, o que reduz o consumo e, com isso, a pressão sobre os preços.
A elevação da Selic, por outro lado, contribui para a desaceleração da economia brasileira. E, na semana passada, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 2,1% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, e que o desemprego subiu para 8,3% no segundo trimestre de 2015 ante os 6,8% de 2014.
Após a última reunião, realizada em julho, o Copom havia indicado que poderia não elevar novamente a Selic. Na ata, o comitê informava que “o cenário de convergência de da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido”.
Analistas de mercado ouvidos pelo BC antes da última reunião do Copom disseram esperar que a Selic termine 2015 em 14,25%, e recue para 12% no fim de 2016.
IG

Alta da Selic sinaliza mudança na política econômica do País

O Banco Central (BC) surpreendeu na noite de anteontem ao anunciar a elevação da taxa básica de juros, a Selic, de 11,00% para 11,25%, na primeira reunião após a reeleição de Dilma Rousseff à Presidência. Após a manutenção do índice nos três encontros anteriores do Comitê de Política Monetária (Copom), a alta é vista como uma sinalização ao mercado de que o governo deve endurecer o combate à inflação no próximo mandato, além de indicar a chance de que ocorram mudanças na política fiscal a partir do anúncio do novo ministro da Fazenda.
Na prática, a alta da Selic aponta para uma maior preocupação com a pressão sobre os preços ao consumidor, que estão acima do teto da meta estipulado pelo BC para 12 meses. A instituição determinou 4,50% como ideal para a inflação do ano, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Em setembro, entretanto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 6,75%.
O outro resultado esperado com a medida é psicológico. O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, diz que a decisão do BC sinaliza que o governo deve mudar a forma de conduzir a política monetária, que estava desacreditada no mercado por estourar o teto da meta da inflação. Assim, serve para acalmar ânimos e ganhar tempo até o anúncio do titular da Fazenda, já que a saída de Guido Mantega já foi confirmada por Dilma. “A política monetária (de juros) não tem mais tanta margem para atuar na redução da inflação. A maior margem está hoje na política fiscal”, diz Antunes, ao citar a parte que cabe ao novo ministro e que inclui corte de gastos públicos.
Para o professor de economia Pedro Raffy Vartanian, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a alta de 0,25% também contribuirá para reduzir a inflação de 2015. “Neste ano não há impacto, porque a taxa de juros demora até seis meses para ser sentida”, diz.
Vartanian completa que a escolha do ministro, assim como das políticas que ele tomará, devem indicar como será o próximo governo. Ele cita como ações esperadas a liberação gradual de preços administrados, como o dos combustíveis, a redução de manipulações contábeis sobre indicadores nacionais e a sincronização da política fiscal com a monetária. “Hoje o governo eleva juros para conter a inflação, mas gasta mais, o que estimula o consumo.”
No setor produtivo, a decisão do BC também foi vista como um remédio amargo, ainda que necessário pela condução da economia nos últimos anos. O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), considera que a medida encarece o crédito, reduz o consumo e diminui a necessidade de produção. “A influência no setor produtivo é que é hora de engavetar projetos de investimento”, diz.
Zurcher prefere aguardar o pacote de medidas para recuperação econômica, prometidos pelo governo, antes de arriscar qualquer previsão. Porém, lembra que os indicadores até setembro eram de baixo desempenho e que assim devem continuar ao menos por mais seis meses. “Se for anunciado algo para contenção dos gastos públicos, redução da burocracia e melhoria da infraestrutura, pode dar resultado”, diz.
Ainda que a própria Dilma tenha criticado, durante campanha, a possibilidade de elevação dos juros excessiva pelo risco de alta no desemprego, Antunes vê a ação como tímida, para “não perder o único índice positivo que há no País hoje”. Mesmo assim, ele acredita que o primeiro semestre de 2015 será de piora no mercado de trabalho. “Ajustes costumam custar algo para todo mundo e vai custar um pouco de empregos”, conta.
Folha

Com Selic mantida, juros de mercado devem se estabilizar

Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) no mesmo patamar de 11%, a expectativa é de que as taxas praticadas no mercado também se acomodem. Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as taxas de juros anuais das linhas crédito para pessoas físicas avançaram de 88,47% para 101,98%, no período de março de 2013 a junho deste ano, uma variação de 15,27%. Já a variação mensal foi de 5,42%, em março do ano passado, a 6,03%, em junho deste ano, um aumento de 11,25%.

Para Andrew Storfer, diretor executivo da Anefac, os juros do mercado já absolveram os últimos aumentos da Selic. “Acredito que agora atingimos um patamar de acomodação. A tendência é entrar em um processo de estabilização”, prevê.

Pela décima terceira vez seguida, as taxas de juros das operações de crédito avançaram. Segundo pesquisa da Anefac, a variação da taxa média mensal para pessoa física em junho aumentou 0,05 ponto percentual, em relação a maio (5,98%), e ficou em 6,03% no último mês. Para pessoa jurídica, houve alta de 0,03 ponto percentual, passando de 3,41% para 3,44% em junho. Essa é a maior taxa média de juros para empresas desde julho de 2012.

Segundo Storfer, essas variações não foram pautadas somente pelos altos índices da Selic. “Se pegarmos como parâmetro o spread bancário, principalmente, vemos como as taxas de juros estão extremamente altas. Porém, elas não são influenciadas apenas pela taxa básica de juros, mas também pelos custos administrativos, tributos e riscos envolvidos. Portanto, existem outros aspectos que influenciam suas variações”, diz.

O especialista atribui as elevações sofridas pelas taxas de juros para crédito nos últimos meses ao aumento da inadimplência e ao cenário econômico nacional com expectativa de piora nos índices de inflação e de crescimento econômico. “Mesmo com a estabilização dessas taxas nos próximos meses, o consumidor continua sofrendo, pois o PIB está crescendo pouco e a inflação crescendo muito. A tendência é de que renda cresça menos do que todos custos que estão se somando a ela, ou seja, a inflação está comendo a renda disponível do consumidor. Por isso se forma uma bola de neve em suas dívidas”, afirma.

Brasil Econômico