Planejamento

Bloco K: como ajustar os processos fabris e os estoques

Transportar para o papel a posição dos estoques das empresas ou apontar nos registros dos arquivos magnéticos as quantidades de mercadorias estocadas nos estabelecimentos não é uma tarefa fácil.
As variáveis que compõem os processos representados pelas anotações e pelos registros das movimentações de entradas e saídas do estoque nas suas várias fases são proporcionais à complexidade de cada conjunto de processos dentro de um estabelecimento, em especial os industriais.
Para todas as empresas de manufatura, foco do “Bloco K” (Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque), os principais processos críticos que devem ser revistos são os da produção dos produtos acabados e do consumo das matérias primas, insumos e materiais de embalagem.
Indústrias do setor químico, por exemplo, possuem variáveis que afetam o resultado de sua produção real e diferenciam a aplicação do seu padrão de consumo estabelecido pelo planejamento. A obsolescência dos equipamentos fabris é uma causa de distorção entre o que realmente foi produzido ou consumido em relação aos registros da produção e do consumo.
Portanto, a revisão da forma de registro dos processos industriais é necessária e, se for o caso, alterações e adaptações deverão ser feitas na documentação que leva o quanto produziu e o quanto foi consumido para a informação refletir o que, de fato, foi produzido e qual o real estoque.
Antecipando este ajuste o empresário terá maior confiança no resultado a ser demonstrado ao Fisco, pois até o momento atual as informações de movimentações internas provocadas pela produção e respectivos consumo dos componentes ficavam restritas ao ambiente empresarial e somente eram expostos no momento da fiscalização.
Os ajustes nos controles nas quantidades produzidas ou consumidas são, na maioria das vezes, consideradas normais na visão dos controladores dada as características dos produtos produzidos. Para a fiscalização, entretanto, não são normais porque todo o processo é analisado na frieza dos números informados nos arquivos magnéticos que estão sob análise.
Portanto, adiantar o tratamento a ser dado nas divergências que serão certamente encontradas nos saldos dos estoques é mais que uma necessidade, ou melhor, é obrigatório. E o empresário deve aproveitar o tempo maior dado pela legislação com a prorrogação gradativa da entrega do Bloco k.
As empresas podem antecipar as entregas do Bloco K nos arquivos magnéticos da EFD-ICMS/IPI desde já. Porém, ficarão submetidas à fiscalização normal e as evidências e inconsistências apresentadas poderão ser levadas como falta de documentos fiscais e acarretar autuações. O desafio é revisar os processos de controles e registros para se chegar às quantidades em estoque exatamente de acordo com o inventariado (ou com a fotografia das mercadorias estocadas).
Vários testes deverão ser realizados e em vários cenários para reduzir ao máximo os questionamentos que virão a partir do momento em que a fiscalização receber as informações. Utilizar esse tempo para ajustar o processo utilizando o suporte de especialistas reduzirá, e muito, a correria na entrega deste complexo que vem pela frente.

Um planejamento tributário diferente – e mais rentável

A chegada do final do ano traz consigo a necessidade de analisar qual o melhor regime tributário a ser adotado nos próximos 12 meses. O sucesso dessa empreitada, porém, depende não apenas de avaliar as transações e o faturamento da empresa para escolher entre Simples Nacional, ‘ ou Lucro Real, mas também se ela tem créditos tributários a serem recuperados dos fatos gerados em até cinco anos atrás.
O complexo sistema tributário brasileiro, que faz 95% das empresas pagarem impostos a mais do que o devido por lei, acaba gerando inúmeras situações passíveis de recuperação dos valores pagos a maior aos fiscos municipal, estadual e federal.
A substituição tributária é uma das principais causadoras disso, ao cobrar dos distribuidores indevidamente o imposto que já foi pago pela indústria, mas existem inúmeras outras possibilidades de obter créditos tributários por meio de decisões administrativas que sequer precisam ser levadas a juízo.
Uma delas é o caso de empresas que contrataram cooperativas – como a Unimed – e que, por isso, eram obrigadas a contribuir mensalmente com 15% relativos ao INSS. Recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e parecer da Receita Federal do Brasil sustentam que se tratava de uma cobrança inconstitucional. Com isso, estes valores podem ser restituídos retroativamente em cinco anos.
Outro caso comum é o de empresas que declaram somente o rascunho da folha de pagamento, deixando de apurar informações relativas a um terço de férias, aviso prévio indenizado e outros dados que resultariam num valor menor a ser pago em tributos, mas que pode ser recuperado posteriormente.
Realizar um compliance tributário, diante disso, tornou-se uma necessidade diante das mais de 3.600 normas publicadas anualmente e das dificuldades de os empresários e contadores aplicarem a lei em sua essência.
Imagine poder recuperar, numa tacada só, milhares – ou até milhões de reais – num momento tão complicado economicamente como o que o país tem passado. Isso pode significar a sobrevivência da empresa e dar um fôlego maior ao seu fluxo de caixa.
Um planejamento tributário eficiente, com vistas a pagar menos impostos e recuperar os valores gastos a mais, deve obedecer estes cinco passos primordiais:
1 – Fazer um levantamento histórico da empresa, identificando a origem de todas as transações efetuadas, e escolher a ação menos onerosa para os fatos futuros.
2 – Verificar a ocorrência de todos os fatos geradores dos tributos pagos e analisar se houve cobrança indevida ou recolhimento a maior.
3. Verificar se houve ação fiscal sobre fatos geradores decaídos, pois os créditos constituídos após cinco anos são indevidos.
4. Analisar, anualmente, qual a melhor forma de tributação do Imposto de Renda e da contribuição sobre o lucro, calculando de que forma (real ou presumida) a empresa pagará menos tributos.
5. Levantar o montante dos tributos pagos nos últimos cinco anos, para identificar se existem créditos fiscais não aproveitados pela empresa.
O resultado de um planejamento tributário bem executado é a não incidência de tributo, redução da base de cálculo ou alíquota e a revisão dos valores de tributos já pagos em patamares indevidos. Com efeito, é inequívoco reafirmar que o planejamento interfere decisivamente na continuidade das empresas, sobretudo na consolidação de sua inserção na economia e na ampliação de suas operações empresariais.
O Autor

Mais que calculadores de impostos

Já se foi o tempo em que os empresários contábeis eram considerados simples calculadores de impostos. Modernamente falando, assumimos a função de assessorar nossos clientes não só em questões contábeis, mas também em gestão financeira e tributária, planejando investimentos e indicando o caminho para o crescimento sustentável.
Afinal, somos nós que detemos todas as informações, a vida da empresa. Especializados também em auditoria fiscal, contribuímos para a legalidade de processos e temos ferramentas para antever situações que prejudiquem o desenvolvimento de um ambiente de negócios mais seguro.
Prezamos pela transparência e o controle do uso de recursos em âmbito privado, mas também atuamos em parceria com o poder público para otimizar procedimentos e gerar economia de capital.
Cada vez mais atentas às mudanças de legislação e às movimentações do mercado, as empresas contábeis se destacam por oferecer soluções completas.
A profissão segue em evolução, se faz ainda mais importante em períodos como o atual, de crise econômica e política, e, definitivamente, não corre risco de extinção. Essa é uma certeza da categoria.
O assunto é recorrente e sempre vem à tona em datas relevantes para o setor, como o Dia do Empresário Contábil, comemorado em todo 12 de janeiro, entre outras. No ano passado, a Ernst & Young reviveu o tema quando divulgou uma pesquisa que apontava as 10 profissões que devem desaparecer até 2025 e incluía entre elas a de contador.
Logo em seguida, a consultoria divulgou nota corrigindo a informação: houve uma imprecisão na tradução do material. Na realidade, a atividade em cheque é a do elaborador de obrigações fiscais.
Conforme explicou a Ernst & Young, o “tax preparer”, bastante comum nos Estados Unidos da América, é responsável apenas pela apuração das informações tributárias dentro da empresa e a inserção no sistema do Fisco, e, passará a ser cada vez menos demandado, em razão da informatização de processos – bem diferente do que faz um assessor contábil.
Por aqui, inclusive, os profissionais contábeis compõem grupos de trabalho, em parceria com órgãos públicos e outras entidades, para aperfeiçoar sistemas utilizados para o envio de informações ao governo federal. A Fenacon, por exemplo, que representa mais de 400 mil empresas do setor de Serviços, contribui constantemente para o desenvolvimento do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e do eSocial, plataformas que prometem otimizar tempo no cumprimento de obrigações acessórias.
Além de, quando solicitada, contribuir decisivamente para a implantação de novidades na área tributária – que não são poucas no nosso país.
Acreditamos que diminuindo a burocracia, é possível aumentar o tempo disponível para assessoramento, perícias e, principalmente, para o planejamento dos negócios – atividades que, pelo menos em um futuro próximo, não devem ser substituídas por soluções tecnológicas.
Essas ações dependem de interpretação crítica e criativa de dados, da busca por saídas individuais e eficazes para cada caso, ou seja, da atuação direta de capital humano. Em constante especialização, os empresários contábeis exercem função primordial no mercado.
DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

Crédito para pequenas empresas (DCI)

Com o objetivo de melhorar as condições de crédito para as micro e pequenas empresas, o Executivo federal propôs a criação de uma nova instituição de crédito, a Empresa Simples de Crédito (ESC), no projeto de lei complementar 25/2007.
Esse projeto de lei, após tramitar no Congresso Nacional durante vários anos, converteu-se na Lei Complementar 155/2016. De acordo com o mesmo, as Empresas Simples de Crédito estariam sujeitas ao regime tributário do Simples Nacional e, além disso, atuariam em seu município-sede e em municípios limítrofes, realizariam operações de empréstimo, financiamento e desconto de títulos perante pessoas jurídicas, e obedeceriam à regulamentação simplificada e específica do Banco Central.
A criação das Empresas Simples de Crédito foi vetada sob o principal argumento de que elas realizariam atividades similares às já desenvolvidas pelas Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte (SCMEPP). Outrossim, apresentavam estrutura inadequada para ser normatizada e supervisionada pelo Banco Central e não continham os elementos imprescindíveis para enquadramento no Simples.
Realmente, não há justificativa plausível para a criação de um novo modelo de instituição de crédito, quando já se conta com as SCMEPPs, ativas em 25 municípios, de 13 estados, cobrindo todas as regiões do País. Em dezembro de 2015, atendiam mais de cem mil clientes e apresentavam uma carteira ativa de cerca de R$ 230 milhões.
O impacto econômico e social das SCMEPPs é reconhecido nos territórios e setores em que mais atuam, e podem se multiplicar com a introdução de algumas alterações necessárias no ambiente normativo, com o intuito de permitir que essas instituições tomem funding com mais facilidade e diluam seus custos fixos, ofertando outros produtos e serviços aos seus clientes.
Com esses objetivos, requeremos que seja autorizada a captação de recursos de investidores qualificados, conforme a definição da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Ademais, pleiteamos autorização para que as SCMEPPs comercializem seguros, consórcios, serviços de assessoria mercadológica, creditícia, gestão e planejamento, de cobrança simples, bem como atuem como emissoras, credenciadoras e instituidoras de arranjos de pagamento.
O aumento das fontes de receitas alternativas permitiria amortizar parte dos custos fixos, reduzindo o spread necessário para a sustentabilidade operacional.
A principal força de trabalho das Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte é o agente de crédito, o qual desempenha papel-chave nas relações com o empreendedor, assessorando-o quanto ao volume e a utilização do crédito demandado.
Essas características não só distinguem as funções do agente de crédito daquelas desempenhadas pelos trabalhadores do sistema financeiro tradicional, como é o principal vetor do forte impacto social dessas instituições na concessão do microcrédito.
Sem dúvida, com uma normatização mais flexível e soluções inovadoras para o setor, as Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte ocuparão definitivamente o espaço para o qual elas foram criadas, tornando-se a mais importante fonte de crédito para os micro e pequenos negócios.
Sage

Prepare a empresa familiar para um recomeço

O tempo passa implacável para todos, sem negociar nada com ninguém. Este ano está indo embora para quem cumpriu todas as suas resoluções de Ano Novo e também para aqueles que estão deixando algumas ou todas elas para o próximo ano. E por falar em despedida…
Você está pronto para se despedir de um gestor, um sócio e um familiar? Bem, se são queridos, você com certeza não está pronto. Os amigos vão embora e nos deixam com saudades das boas conversas, dos ensinamentos, das intermináveis e repetidas estórias.
Se o gestor sai da empresa, ainda ficam os desafios de substituir suas habilidades e competências. Se um sócio vai embora, resta a dúvida sobre como será a caminhada sozinho ou com os sócios que ficaram. Se um familiar falece, quem fica vive o luto e o lamento pelo o que deixou de ser dito ou ouvido.
Como ficam aqueles que perdem, ao mesmo tempo, o gestor, sócio e familiar? A despedida já é dolorosa em si, mas se não houve o preparo de um sucessor nos negócios, quem fica terá que enfrentar o luto junto com a sensação de impotência por ter de fazer algo que desconhece. Nesse turbilhão de sentimentos, quem fica pode passar da incompreensão e chegar até a sentir raiva pela condição de despreparo para os negócios.
Surpreendentemente, poucas famílias se propõe a planejar e a se preparar para a despedida. São inúmeras as desculpas para evitar o assunto: “tenho saúde e muito tempo pela frente”; “isto é complicado, deixa que o tempo resolve”; “precisamos ver isto, quem sabe no ano que vem”; “meus filhos ainda são muito pequenos” – a lista é quase interminável.
Seria possível imaginar a despedida da perspectiva de quem se foi? Pais que deixam filhos brigando pela partilha dos bens ou na disputa por cargos e poder. Famílias que assumem negócios sem conhecimento sobre seus direitos e deveres na empresa. Negócios de alto potencial sendo vendidos a qualquer preço, justamente pela fala de conhecimento de quem acabou com a empresa nas mãos.
Isto tudo pode ser diferente. Basta preparo e planejamento, sem a espera de que o outra pessoa aparecerá para resolver tudo. É preciso reconhecer que podemos nos tornar indisponíveis independente de idade e saúde. Não podemos esperar o tempo para resolver essa questão.
PEGN

Crescimento Tecnológico x Contabilidade

O empreendedorismo na contabilidade é uma ferramenta utilizada e levada a sério pela maioria dos gestores da área contábil.
Em muitos casos é feito até mesmo um planejamento estratégico da forma como a empresa está e como trabalha hoje, e o que ela precisa fazer para atingir os seus objetivos.
Com base nesse planejamento o gestor conseguirá identificar mais facilmente onde deverá depositar maiores recursos e esforços, e a média de tempo para ver os resultados deste empenho.
Mas para isso a empresa precisará se sujeitar ao crescimento tecnológico. O crescimento tecnológico poderá garantir a ampliação do negócio contábil, pois poderá atingir em menor tempo mais clientes, atendendo as suas necessidades e gerando satisfação para o cliente e receita para o escritório.
A inovação e a tecnologia andam juntas para auxiliar o desenvolvimento das empresas, e o empresário que está antenado nas tendências para o crescimento do negócio contábil já sabe disso.
Uma empresa que está conectada a excelentes tecnologias digitais garante uma boa cultura dentro de seu escritório, e uma visão mais profissional perante seu cliente.
Todo bom empreendedor investe em inovação, isso é essencial, pois demonstra que a empresa tem um diferencial na prestação de seus serviços perante seus concorrentes.
O empreendedorismo ligado a inovação tecnológica, cria uma contabilidade mais dinâmica, independente, rápida e inteligente.
Isso sem contar com o foco na sustentabilidade. Escritórios de contabilidade geram uma grande massa de papéis todos os dias, desde guias, contratos, protocolos etc…
Com o uso de ferramentas digitais toda essa “papelada” será drasticamente reduzida, ajudando assim o meio ambiente e reduzindo custos com impressão.
Essa responsabilidade garante um cliente mais satisfeito, pois terá em suas mãos seus documentos e afins no tempo em que ele realmente precisa, sentindo assim, que a contabilidade é realmente parceira de sua empresa, por fornecer esses serviços diferenciados.
Empreender com foco na tecnologia cria mais oportunidades de negócios, de forma sustentável, e pode garantir que um serviço muitas vezes moroso para os colaboradores se torne algo mais rápido e fácil, e lhes de mais tempo para se focar em outras atividades na empresa.
As vantagens são inúmeras para esse tema, o novo empreendedorismo já está aí batendo em nossa porta, cabendo só ao gestor abraçar ou não esta cultura.
Contabilidade

Empresários que fecharam contam o que aprenderam com os erros

Se o momento econômico não é bom para os negócios, as micro e pequenas empresas são as que mais sofrem com isso.
Os dados demonstram: segundo a Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial bateram recorde histórico de janeiro a outubro (1.600) em relação ao período equivalente de 2015. A alta é puxada pelas empresas de menor porte (990), com alta de 91,5% nos pedidos.
“Há um impacto duplo na recessão: a queda na receita e o aumento dos custos”, afirma Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.
Por mais que a diminuição no caixa e a restrição ao crédito imponham desafios, a razão central da implosão das micro e pequenas empresas é mais antiga.
A taxa histórica de mortalidade nos dois primeiros anos beira os 30%, segundo Enio Pinto, gerente nacional de atendimento do Sebrae, e 2016 deve fechar acima desse índice.
“A principal razão é o amadorismo. São pessoas que têm afinidade com a operação do negócio, mas não entendem de administração”, afirma o especialista. “É como querer ser médico sem ter estudado medicina.”
O coordenador-adjunto do Centro de Empreendedorismo da FGV (Fundação Getulio Vargas), Marcelo Aidar, destaca outro erro capital: subestimar o mercado, achando que certo produto ou serviço fará sucesso na região, ou não atingir o público ou o tíquete médio previstos.”Não há dinheiro ou recursos que supram a falta de clientes”, atesta.
A empresária Joyce Venâncio, hoje dona da marca de bonecas artesanais Preta Pretinha, na Vila Madalena (zona oeste de São Paulo), aprendeu isso na marra.
Em 1998, ela abriu um café com duas irmãs no Jardim Bonfiglioli (também na zona oeste), que não passou de um ano e meio.
“Hoje eu vejo como os empreendedores ficam deslumbrados. O Fran’s Café estava bombando naquela época e fizemos um café requintado, mas sem nenhum planejamento”, afirma.
Resultado: “Os moradores do bairro esperavam até o final de semana para se vestir melhor e tomar um cafezinho”, lembra.
“Me descapitalizei bastante, tive de voltar para o mercado de trabalho.”
Já o empresário João Gilberto Sanzovo, 32, deixou passar despercebido outro detalhe. Recém-formados em engenharia, em 2009, ele e mais dois amigos da faculdade transformaram a vontade de empreender na AJK Tech, uma startup de dispositivos de preços eletrônicos para gôndolas de supermercado.
Depois de equipar uma loja inteira com a tecnologia, em Jaú (interior de São Paulo) e atrair a atenção de clientes em uma feira do setor, apareceu o gargalo.
A empresa parceira que fornecia o display, na Itália, não conseguia enviar as remessas seguintes solicitadas. Pior: os equipamentos já instalados apresentaram defeito e deixavam os números deformados na tela.
“Aprendi algo básico para quem estuda marketing. Não se pode depender de um fornecedor só”, afirma Sanzovo.
Hoje sócio de três startups, ele aplicou o aprendizado na Link Monitoramento, empresa de rastreamento de veículos, para a qual mais se dedica. “Faço um balanço entre fornecedores do hardware, mão de obra terceirizada e operadoras de celular conforme a região e a demanda”, diz o empresário.
UOL

Os Desafios dos Profissionais de Contabilidade

O ano de 2017 promete ser de leve recuperação econômica. Mas isto não tornará um ano menos penoso para os negócios em geral, pois os efeitos da recessão, do desemprego, do endividamento dos consumidores continuarão persistindo, exigindo um enorme esforço para empreender e gerir operações. Gerar lucros, neste ambiente, continuará sendo um desafio.
Juros altos, tributação elevada, ambiente econômico instável, dólar elevado, pressão de reposição inflacionária nas remunerações, reajuste das tarifas públicas (energia, combustíveis e outros) deverão ser analisados em seus efeitos sobre os negócios.
É hora de agir ainda em 2016, prevendo-se, de imediato, ações de planejamento tributário, com objetivo de reduzir os custos de operações e vendas. É nisso que consiste o desafio do profissional contábil: deixar de simplesmente “calcular impostos” e tornar-se um efetivo “gestor de tributos”!
Planejamento tributário é o conjunto de ações que, respaldadas em lei (ou não vedadas pela lei), tornam mais econômica determinada atividade sujeita a incidência fiscal. Predominantemente, os profissionais de contabilidade estão envolvidos (ou deveriam estar) nestas ações.
Por exemplo: se a lucratividade do negócio é pequena, então a apuração dos impostos (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) sobre a base conhecida como “lucro real” pode ser mais interessante que a aplicação do regime “lucro presumido”.
No planejamento tributário não se fazem generalizações, tais como “o Simples Nacional é mais barato”, “o lucro real é burocrático”, ou o “lucro presumido tem menor fiscalização”, etc. Estas generalizações criam entraves ao bom planejamento, reduzindo as opções e bloqueando alternativas que poderiam ser mais condizentes aos negócios.
As opções de planejamento são muitas, destacando-se, em resumo:
1. a questão da opção pelo regime de tributação federal (Lucro Real, Presumido ou Simples Nacional);
2. a existência de incentivos e benefícios fiscais regionais (SUDAM, SUDENE);
3. maneiras de organizar os negócios (holding, off-shore, produção descentralizada, grupo de sociedades, etc.);
4. diferenças tributárias relevantes (como entre pessoas físicas e jurídicas – por exemplo: o ganho de capital das pessoas físicas é tributado a partir de 15% de imposto de renda, com fatores redutores, enquanto que o mesmo ganho, do mesmo valor, das pessoas jurídicas, pode ser tributado até 25% pelo Imposto de Renda mais 9% de Contribuição Social sobre o lucro);
5. tratamento diferenciado sobre créditos fiscais (PIS, COFINS, ICMS, IPI);
6. diferenças tributárias sobre operações de serviços (ISS municipal) e outros tributos especiais (como ITR).
Enfim, cabe destacar que o planejamento fiscal não é ato fixo, formal. É contínuo, diário, sendo necessário seu acompanhamento e revisão pelos gestores, além de ser adaptado às mudanças tributárias que ocorrem quase diariamente no Brasil.
Contabilista: se sua empresa, organização, escritório ou atividade ainda não executam atividades de planejamento, ou se as realizam, porém mantém um acompanhamento não muito regular, recomenda-se a implementação de estudos para viabilizar possíveis formas de economia fiscal.
Inclua no leque de serviços disponibilizados a seus clientes a gestão do planejamento fiscal – interaja, inove e busque soluções – afinal, 2017 está se aproximando, e o que você fará para torná-lo menos difícil a si e a quem depende de seus serviços?
Guia Contábil

Habilidades imprescindíveis a qualquer profissional

Todos querem trabalhar numa excelente corporação. Todos querem estar nas “Melhores Empresas Para Se Trabalhar”. O que nem todos captam, é que quem faz esta ou aquela empresa ser uma organização bem quista por todos, são as pessoas. São os funcionários, os capitais humanos que faz com que uma empresa cresça e se multiplique em seu nicho mercadológico. Logo, o que faz uma empresa ser melhor para se trabalhar é a própria pessoa que nela atua.
Várias pessoas têm conversado comigo, seja após minhas palestras, seja quando me contratam para ministrá-las, e me perguntam quais habilidades esses profissionais devem ter para fazer de qualquer organização, uma empresa melhor. Como estou sempre observando o ambiente onde me encontro, para identificar tendências e analisar como é o comportamento das pessoas, pude perceber quais são as necessidades das organizações, e quais são os profissionais que estão um passo a frente dos demais.
Procurei sintetizar o que observei para poder compartilhar com você um pouco dessas habilidades, que, creio, são imprescindíveis. Noto que essas habilidades fazem parte das pessoas que possuem um perfil empreendedor. Nas minhas palestras, costumo dizer que, se eu fizesse parte dos Recursos Humanos de uma empresa, somente contrataria uma pessoa que tivesse brilho nos olhos, uma “cara de orgasmo”, ou seja, que fosse cheia de vitalidade, de energia, que não vê a hora de arregaçar as mangas e começar a fazer aquilo que ela tem de melhor, porque ela tem consciência do que pode agregar e o que pode fazer de diferente em seu ambiente profissional.
Além desse brilho único no olhar e da consciência da relevância que ela tem no que faz, eu destaco ainda outras habilidades:
Integridade e coerência. Revela a capacidade que o profissional tem de se relacionar. Faz com que as outras pessoas se comprometam e cooperem com ele. Para isso é preciso confiança dentro de uma organização, bem como potencializar alguns pontos do profissional: analisar as situações em que houve um descomprometimento com alguma tarefa; informar aos outros quando não irá poder cumprir com uma tarefa, para não perder sua credibilidade; aplicar os feedbacks em suas ações; reconhecer seus erros perante os demais; fazer um planejamento, como um fluxograma, dos compromissos adquiridos que devem ser cumpridos.
Flexibilidade. É a atitude para lidar com os imprevistos e contornar os momentos de crise. Para isso, tem que se “treinar” a improvisação. Mas como? Há alguns pontos que ajudam esse treinamento: reduzir o tempo que se emprega planejando uma tarefa; sempre que puder troque um trabalho que exige minuciosidade e morosidade por ações; trabalhe com equipes que contenham uma diversidade de pessoas, que vai te ajudar a aceitar que não existem verdades absolutas; crie o costume de pedir a opinião para toda sua equipe, e observe os vários pontos-de-vista para resolver um determinado problema; marque num papel os motivos que o levaram a determinar certa decisão, e se você os mantém ou não quando a situação muda de rumo. Autoconfiança e autoconhecimento. Essas habilidades são importantes para você assumir riscos e ter segurança, são ótimas para o espírito empresarial, visando ser um líder e empreendedor. Para isso saia da sua zona de conforto e comece a ter uma visão mais ampla de até onde você pode chegar; marque num papel seus objetivos, circule os que já alcançou e sempre determine novos; fuja das pessoas muito protetoras e de superiores que não delegam tarefas, limitando sua capacidade; para melhorar seu autoconhecimento tente enxergar como as pessoas ao seu redor o vêem, ou procure um especialista no assunto, como um terapeuta, para melhorar suas capacidades pessoais.
Intuição. Deixar guiar-se pela sua intuição pode ajudar a livrar-se de um problema rapidamente, quando há escassez de tempo, e ajuda a melhorar sua capacidade de criação. Para isso é preciso aprender a pensar intuitivamente, como um “efeito helicóptero”, que significa ver as coisas de cima com uma certa distância; tente resolver um problema que pode até ser óbvio para os outros, e encontre mais de uma solução; quando tiver que explicar situações complexas, crie o hábito de simplificar as informações, identificando o ponto-chave para aqueles que concordam com a sua argumentação.
Capacidade crítica. Habilidade para analisar criticamente toda tarefa que lhe é delegada. Como se todo projeto ou trabalho seja feito com todos os prós e contras. Segundo os especialistas essa é uma das habilidades mais difíceis de se desenvolver, porém há algumas maneiras de exercitá-la: tente utilizar o lado mais racional do cérebro, evitando tomar decisões baseadas nas emoções; melhore sua capacidade de enxergar a realidade, analisando separadamente cada uma das partes que condicionam a solução de um problema, e peça a ajuda de outras pessoas para descobrir novos fatores que você não havia percebido; crie o hábito de marcar num papel qual o motivo lógico (racional) que o levou a chegar a determinada conclusão; discipline sua mente para criar todas as argumentações possíveis para defender suas idéias, sem se esquecer os detalhes como datas e investimentos.

Planejamento é fundamental para o sucesso empresarial

É indiscutível dizer que este ano foi dificílimo para todos os brasileiros, pessoas físicas e jurídicas. A boa notícia é que 2016 está chegando ao fim. Mas o que esperar de 2017, uma vez que o País está mergulhado em um profundo conflito político e econômico? Em entrevista àRevista Dedução, o tributarista e sócio-diretor do escritório Silva & Oliveira Advogados, Flávio de Oliveira, que atua diretamente com estratégias direcionadas ao planejamento tributário, societário e sucessório, comenta que, para não fechar as contas no vermelho é fundamental se preparar, uma vez que em tempos difíceis, a competência, a habilidade e a produtividade são colocadas à prova: as decisões têm de ser mais assertivas e é necessário ter todas as informações corretas para a tomada de decisões quando o assunto é dinheiro.
As incertezas políticas e econômicas representam um desafio a mais para as empresas no ano que vem?
É fato que as incertezas que podem fazer o grande barco chamado Brasil continuar a velejar por águas frias e turbulentas representam um desafio a mais para as empresas de todos os portes e segmentos. Portanto, neste momento, a palavra de ordem é competição: quem se destacar no mercado e for melhor do que o concorrente, ganha o jogo. A crise está aí e quem quiser sobreviver a ela terá de se preparar. E, por falar em dinheiro, existe uma questão importantíssima que deve ser considerada na hora de escolher o melhor destino para seus bens, lucros e rendimentos: os impostos. Não é nenhuma novidade que o Brasil tem uma carga tributária excessiva. Inclusive, é o País com o maior número de obrigações acessórias de toda a América Latina e Caribe, conforme aponta um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, o qual apontou que os brasileiros pagam o equivalente a 33,4% do tamanho da economia em impostos e taxas.
Diante da alta carga tributária, o que é recomendável que as empresas façam?
As normas tributárias sofrem alterações quase que diariamente e diante deste emaranhado de leis, normas, decretos, instruções normativas, atos declaratórios, portarias e medidas provisórias, quem não tem dúvida do que fazer e como fazer que atire a primeira pedra. Por esse motivo, é de fundamental importância que se tenha um cenário tributário prévio e muito bem definido, o qual pode ser traçado por meio de um planejamento tributário, que tem como principal função a diminuição do montante de tributos pagos.
Quais são, a seu ver, os principais benefícios de um planejamento tributário?
Ele é o rumo para se evitar a incidência, adiar o ônus tributário e reduzir os encargos fiscais.
Como fazer um bom planejamento tributário?
Um bom planejamento tributário tem início pela boa guarda e apresentação das informações econômico-financeiras. Ele é o melhor mecanismo para as empresas que querem obter a máxima eficácia com o menor custo possível. Além disso, tal estratégia é de fundamental importância para garantir bons retornos e incentivar o aproveitamento de benefícios previstos na legislação, como isenções fiscais e compensações de perdas, por exemplo.
Em sua opinião, um bom planejamento tributário pode ser considerado como uma necessidade?
Planejamento tributário não é ficção, muito menos modismo. É, sim, uma realidade, e mais do que isso: nos dias atuais, o planejamento tributário pode ser considerado uma necessidade e questão de sobrevivência de uma maneira legal, sem que a empresa precise apelar para a sonegação. Como diria o escritor e consultor administrativo Peter Druck (1909-2005), considerado o pai da administração moderna, “o planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro de decisões presentes”. Isso quer dizer que toda vez que temos uma rápida perspectiva do trajeto que estamos seguindo, propendemos a tomar decisões mais fáceis, as quais, no início, podem até trazer bons resultados. Entretanto, com o passar do tempo, podem acarretar problemas.
Do ponto de vista fiscal, é mais fácil as empresas que se planejam crescerem?
Aí está a importância de um planejamento tributário: ele é fundamental para que o estabelecimento cresça, é claro, mas neste estudo há consenso sobre os momentos de crise e as medidas que podem afetar o resultado da corporação a pequeno, médio ou longo prazo. Já está comprovado que é mais plausível as empresas que se planejam, do ponto de vista fiscal, se desenvolverem e alcançarem a estabilidade, do que aquelas que não fazem nenhum tipo de planejamento. De certa forma, a sobrevivência das empresas daqui por diante está interligada à capacidade dos administradores prognosticarem cenários favoráveis ou adversos. Como só restam apenas dois meses para 2016 acabar, a hora é oportuna para os empresários conversarem com seus contadores e solicitar um planejamento tributário para 2017.
Revista Dedução