Monetária

Fique por dentro dos princípios contábeis mais importantes

A contabilidade repousa sobre um pequeno conjunto de pressupostos e princípios fundamentais os quais muitas vezes são chamados de princípios contábeis. Estar atento a esses princípios é muito importante para a prática da contabilidade e a torna muito mais compreensível.
Não é nenhum exagero dizer que os princípios contábeis permeiam quase tudo relacionado à contabilidade de uma empresa ou escritório de contabilidade, por isso a importância do profissional manter-se informado sobre esse assunto para cumprir com eficiência e qualidade os seus serviços. Os princípios contábeis mais importantes são:
Princípio da continuidade
O princípio da continuidade pressupõe que os sistemas e operações de uma empresa continuarão em funcionamento no futuro. Por isso, esse contexto deve ser levado em conta para a mensuração e a apresentação dos elementos que compõem o patrimônio da entidade.
Se uma empresa deixa de existir, torna-se muito claro como se deve avaliar os ativos, e se os ativos têm ou não valor de revenda. Se uma empresa não vai continuar as operações, não existe nenhuma garantia de que qualquer parte do inventário pode ser vendida. E se o inventário não pode ser vendido, o que isso diz sobre valor patrimonial do proprietário mostrado no balanço?
Princípio da entidade
De acordo com a Resolução CFC nº 750/93 (com alterações dadas pela Resolução CFC nº 1.282/10), o princípio da entidade afirma que uma entidade empresarial é uma entidade separada e não se confunde, portanto, com o patrimônio de cada um dos sócios ou dos proprietários. Esse princípio, portanto, permite que se preparem demonstrações financeiras apenas para a entidade separada ou apenas para cada um dos sócios.
Princípio da oportunidade
O princípio da oportunidade refere-se ao reconhecimento de ativos e passivos nos registros contábeis da empresa, onde se torna possível, inclusive, a definição de estimativas técnicas e objetivas pelo contador.
Princípio da competência
Transações e eventos, bem como seus derivados, suscetíveis de terem efeitos quantificados, devem identificar o período em que ocorrem, portanto, qualquer informação contábil deve indicar claramente o período referido, independente do pagamento ou recebimento.
Esse princípio torna possível a prática de confrontar as despesas e as receitas correlatas, ocorridas em um determinado período de tempo.
Princípio do Registro pelo Valor Original
Os bens e serviços e todo o patrimônio da empresa devem ser registrados de acordo com o valor originalmente pagos por ele. Esses valores devem ser expressos em moeda nacional.
Princípio da atualização monetária
O princípio da atualização monetária diz respeito à perda patrimonial decorrente da constante desvalorização da moeda nacional. Esse princípio visa, portanto, compensar nos balanços contábeis e patrimoniais da empresa essas frequentes distorções e, assim, ajustar o valor real ao valor expresso nas transações a que se referem.
Princípio da prudência
O princípio da prudência diz respeito ao fato que os contadores devem usar de prudência quando no julgamento de estimativas contábeis. Embora não haja nenhuma medida definitiva da materialidade, o julgamento do contador sobre essas questões deve ser são para que patrimônio da empresa seja apresentado de acordo com o seu valor real.
SAGE

Economia está entre a hipótese e a realidade.

Nesta semana, os diretores do Banco Central se reúnem no Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir sobre a taxa de juros. De antemão, sem nenhuma informação secreta, é quase unanimidade esperar que eles não mexam na taxa que está agora em 11% ao ano. Deve ser tentador dar uma “reduzidinha” nos juros, vendo o PIB se esvair. Mas deste pecado o BC está em penitência porque já pecou e viu que não adiantou – nem a economia reagiu, nem a inflação baixou. Na sexta-feira, teremos o IPCA (“inflação oficial”) de agosto. As previsões apontam para uma inflação de cerca de 0,20%, o que deve manter o indicador em torno de 6,5% em 12 meses.
Recentemente, surgiram cenários preocupantes na economia brasileira. Eles podem ser apenas hipótese, efeito estatístico ou a realidade nua e crua mesmo. O resultado do PIB do segundo trimestre, com retração de 0,6%, seguido de uma queda de 0,2% do primeiro trimestre, carimbou o termo recessão na economia. Neste caso, na justificativa cabem o efeito estatístico e também uma hipótese – tudo vai depender da intensidade e do tempo em que ficaremos no vermelho.
Olhando só para os números, podemos apontar três períodos recentes em que a estagflação surgiu no debate. Em 1999 o PIB cresceu 0,3% e o IPCA fechou em 8,93%. Em 2012, o país cresceu 1% e o IPCA ficou em 5,84%. Agora em 2014, devemos crescer bem próximo de zero (vide o relatório Focus desta semana) e a inflação caminha para ficar acima de 6%, ainda que esteja em trajetória ascendente.
Mesmo tendo indicadores semelhantes que corroboram o processo estagflacionário, é preciso adicionar o contexto de cada um dos períodos citados para apontar um diagnóstico. Lá em 1999, o país carregava as crises da Ásia e da Rússia, uma maxidesvalorização da moeda, a troca da política econômica para adoção do sistema de metas para inflação, câmbio flutuante e controle dos gastos públicos – e o Plano Real era apenas um bebê.
Em 2012, começamos a sentir os efeitos do desarranjo da política econômica que vinha desde 2009/10 e se intensificou no governo Dilma. Há dois anos, o mundo estava ainda de ressaca das crises na Europa e nos Estados Unidos, crescia pouco e não ajudava o Brasil. Agora, 20 anos depois de Plano Real e 15 anos de uma política que mostrou ser capaz de gerar equilíbrio macroeconômico, estamos sozinhos em nossas escolhas e seus efeitos.
O efeito mais perverso entre todos é a “anemia” que se abateu sobre a economia brasileira. Atravessar um período difícil, em que tudo está mais negativo ao redor, é mais fácil quando estamos bem “alimentados” e preparados para o trajeto. Agora, depois de provocar um período atribulado, consumindo o potencial e a eficiência da economia, o governo impôs ao país uma realidade nua e crua que mistura a recessão com a estagflação e ofusca um horizonte de recuperação.
G1 – Economia