IPCA

Salário mínimo será de R$ 979 em 2018

A Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO), publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial, estabeleceu aumento para salário mínimo, que sairá dos atuais R$ 937 para R$ 979 a partir de 1º de janeiro do ano que vem.
Com a publicação, os benefícios trabalhistas também foram ajustados seguindo o novo valor do mínimo. O Ministério da Fazenda projeta que o valor passe para R$ 1.029 em 2019 e R$ 1.103 em 2020.
Sancionada com vetos
O presidente Michel Temer sancionou a LDO com alguns vetos. A lei estabelece as metas e prioridades do governo para o ano seguinte e orienta a elaboração da lei orçamentária anual.
Um dos itens excluídos registrava que o Executivo adotaria providências e medidas, inclusive com o envio de proposições ao Legislativo, com o objetivo de reduzir o montante de incentivos e benefícios de natureza tributária, financeira, creditícia ou patrimonial. A justificativa ao veto é que “o dispositivo poderia tornar ilegal medidas de caráter concessivo que se apresentem prementes ao longo do exercício.”
Outro ponto vetado é o que previa que projetos de lei e medidas provisórias relacionadas ao aumento de gastos com pessoal e encargos sociais não poderiam ser usados para conceder reajustes salariais posteriores ao término do mandato presidencial em curso. O governo argumentou que “a limitação prejudica a negociação das estruturas salariais com os servidores dos três poderes, impondo um marco final curto para a concessão de reajustes salariais”. O texto lembra que muitas vezes reajustes são concedidos de forma parcelada em mais de um exercício fiscal.
O texto sancionado mantém a meta fiscal proposta pelo governo e prevê, para 2018, um deficit primário de R$ 131,3 bilhões para o conjunto do setor público consolidado (que engloba o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais), sendo R$ 129 bilhões para os orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e R$ 3,5 bilhões para o Programa de Dispêndios Globais.
A LDO também projeta um crescimento real da economia brasileira de 2,5%, taxa básica de juros (Selic) em 9%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% no ano e o dólar a R$ 3,40 no fim de 2018.
Esta será a primeira LDO a entrar em vigor após aprovação do teto de gastos públicos, que atrela os gastos à inflação do ano anterior, por um período de 20 anos.
O Dia Online

Inflação continua surpreendendo positivamente

A perspectiva para o ano é de que termine abaixo da meta oficial (4,5%) e próxima ao limite mínimo de tolerância desta meta (3,0%)
Há um ano atrás, quando a nova equipe do Banco Central assumiu seus postos de comando, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), alcançava 9,5%, depois de haver chegado a dois dígitos em 2015.
A partir do segundo semestre do ano passado, passou a apresentar rápida desaceleração, fechando o mês de maio em apenas 3,6%.
A perspectiva para o ano é de que termine abaixo da meta oficial (4,5%) e próxima ao limite mínimo de tolerância desta meta (3,0%).
Parte deste resultado positivo se deve à queda das despesas, principalmente aquelas vinculadas ao consumo das famílias, que continua mostrando retração, embora cada vez menor, em decorrência principalmente do aumento do desemprego, da escassez de crédito e das taxas de juros ainda elevadas.
Ou seja, a menor inflação reflete o fato de que a economia ainda se encontra em recessão.
Outro fator que explica a menor alta do custo de vida é a safra recorde que, ao aumentar a oferta de produtos agrícolas, produz redução dos preços da alimentação, um dos itens mais importantes da cesta básica de consumo.
Contudo, a fraqueza da atividade econômica e os recordes de produção agrícola não são capazes por si só de explicar a desaceleração da inflação, que também é causada pela política monetária bem conduzida pela atual gestão do instituto emissor.
Esta soube ser prudente no início de seu mandato, promovendo reduções paulatinas da taxa básica (Selic), que passaram a intensificar-se na medida em que já se observava a tendência de queda, num contexto de ajuste fiscal e avanço das reformas.
Com isso, o “novo” Banco Central conseguiu recuperar a credibilidade em relação a seu compromisso de manter a inflação na meta, praticamente perdida no governo de Dilma Rousseff, o que foi fundamental para reduzir (“ancorar”) as expectativas de inflação, levando à uma menor disposição para reajustar preços e salários por parte de empresas e trabalhadores, realimentando a perda de intensidade dos aumentos de preços.
Nem mesmo a grave crise político-institucional, que passou a assolar o País após a delação da JBS, tem sido capaz, até o momento, de afetar a trajetória de redução da inflação, o que corroboraria o sucesso da política monetária atual, ao conseguir “descolar” a política da economia, mesmo sem que haja autonomia formal do Banco Central.
Esta trajetória é benéfica por dois lados, pois, em primeiro lugar, promove a recomposição do poder aquisitivo das famílias, precondição básica para aumentar o consumo, e, por outro, abre espaço para que a autoridade monetária possa continuar a reduzir a taxa Selic, fator essencial para viabilizar a retomada do crescimento econômico.
Diário do Comércio

Inflação desacelera para 0,67% com alta menor de alimentos e transportes

Os alimentos e os transportes subiram menos em abril e ajudaram a desacelerar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para uma alta de 0,67%, após elevação de 0,92% em março, informou o IBGE. No ano, o IPCA acumulou uma alta de 2,86%. Em 12 meses, ficou em 6,28%, abaixo do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%, mas a maior taxa desde junho do ano passado nessa comparação.

A desaceleração dos alimentos ocorreu tanto com os produtos consumidos em casa, que passaram de alta de 2,43% em março para aumento de 1,52% em abril, como na alimentação consumida fora de casa, que saiu de 0,96% para 0,57%. Ainda assim, a alimentação ainda foi o maior impacto para a inflação do mês.

Alguns produtos que tiveram altas expressivas em meses anteriores registraram até queda nos preços, como é o caso da mandioca, tomate, cerveja, hortaliças, açúcar cristal e farinha de trigo. Por outro lado, grande parte dos alimentos pesquisados ainda teve aumento de preços. Foi o caso da batata inglesa (+22,26%), que liderou o impacto na inflação do mês, ao lado dos remédios (alta de 1,84%) e carnes (1,83%).

A alta da energia elétrica, de 1,62%, também pesou no índice. No entanto, ainda há resíduos de reajustes anteriores a serem absorvidos pela inflação. “Ainda tem uma parte para entrar em maio”, afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Pressão. Apesar do recuo em abril, a constante pressão dos aumentos dos alimentos explica a resistência da inflação ao redor dos 6% no acumulado em 12 meses, segundo Eulina.

Em abril, a taxa do IPCA em 12 meses ficou em 6,28%, contra uma alta acumulada de 7,38% nos alimentos. No ano passado, a inflação fechou em 5,91%, contra uma alta de 8,48% nos alimentos. Em 2012, o IPCA ficou em 5,84% e, os alimentos, em 9,86%. Em 2011, o IPCA foi de 6,50%, e alimentos ficaram em 7,18%.

“Se olharmos a série histórica na ótica dos 12 meses, a taxa do IPCA gira em torno de 6%. Às vezes chegou a 5,8%, mas tudo muito próximo de 6%”, apontou Eulina. “Isso é por conta do comportamento dos alimentos. Nos últimos anos, o IPCA vem sendo pressionado pelos serviços e pelo grupo dos alimentos, que é um grupo superimportante para o orçamento das famílias. Embora não sejam itens de muito valor, são consumidos diariamente”, acrescentou a coordenadora.

Os alimentos têm um peso de 24,85% no cálculo do IPCA. O aumento da renda e os problemas no clima puxaram esse encarecimento dos produtos alimentícios nos últimos anos, disse a pesquisadora.

“Quando a renda aumenta, tem a pressão sobre os preços dos alimentos, sobre os preços dos serviços. E têm acontecido os problemas climáticos a cada ano, restringindo a oferta (de alguns alimentos) não só do Brasil, como em outros países também”, lembrou Eulina, citando a quebra de safra de soja na Rússia e de trigo na Argentina.

Transporte aéreo. As passagens aéreas caíram 1,87% em abril, após terem registrado uma alta de 26,49% no mês anterior, puxando a alta menor de preços do grupo dos Transportes. Mas também houve contribuição tanto de combustíveis quanto de ônibus e automóveis, que subiram menos.

O etanol saiu de alta de 4,17% em março para aumento de 0,59% em abril. A gasolina passou de 0,67% para 0,43% no período. As tarifas dos ônibus urbanos saíram de uma variação de 0,60% em março para 0,24% em abril, enquanto as tarifas dos ônibus intermunicipais passaram de 0,47% para 0,35%. Também cresceram menos os automóveis: os novos passaram de 0,78% para 0,29%; e usados, de 0,78% para 0,20%.

Além dos alimentos e dos transportes, mais três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram menos em março. O destaque foi o item Despesas Pessoais, que passou de 0,79% para 0,31%, puxado pela desaceleração de empregado doméstico (de 1,28% para 0,58%) e cabeleireiro (de 0,79% para 0,03%).

Baixa renda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação da baixa renda, subiu 0,78% em abril, desacelerando após ter registrado alta de 0,82% em março. Com o resultado, o índice acumulou uma alta de 2,90% no ano e de 5,82% em 12 meses. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e chefiadas por assalariados.

Link: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,inflacao-desacelera-para-0-67-com-alta-menor-de-alimentos-e-transportes,184292,0.htm

Estadão

Defasagem na tabela do IR consome 50% do 13o salário

Um estudo promovido pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal revela uma defasagem de 66,4% na tabela do imposto de renda, isso porque desde 1996 o governo vem promovendo reajustes da tabela de IR bem abaixo da inflação. Segundo Marcelo Maron, palestrante, consultor e Diretor do Grupo PAR, se a tabela tivesse sido reajustada pelo índice de inflação oficial (IPCA), os valores dos salários isentos de imposto, bem como das faixas salariais tributáveis, estariam muito acima dos praticados atualmente.

“Na verdade, esta é uma forma silenciosa e injusta de aumentar substancialmente a carga tributária sobre os assalariados, especialmente os que ganham menos. É de se esperar que a tabela de imposto seja reajustada a cada ano por no mínimo, a variação da inflação. Como isto não ocorre, pessoas com uma renda baixa, antes isentos, atualmente já são descontados do imposto de renda na fonte”, assinala Maron.

Um cálculo simples permite entender a extensão das práticas do governo quando o assunto é a cobrança do IR. Segundo Maron, o limite de isenção vigente hoje é de R$ 1.710,98. Ou seja, quem ganha até este valor, está isento de imposto de renda. Mas se a tabela do IR estivesse sendo corrigida pelo IPCA, este limite de isenção estaria em R$ 2.784,81.

“Hoje, quem ganha R$ 2.784,81 paga mensalmente R$ 97,12 de imposto já descontado na fonte. Em um ano, levando-se em conta 13 salário, o trabalhador com esse salário vai pagar R$ 1.262,58 de imposto de renda. Na prática, o leão está consumindo quase a metade do 13º salário de um trabalhador que não pagaria nada se o reajuste da tabela estivesse ocorrendo como deveria”, explica Maron.

Na prática, assinala o consultor, o governo federal está se valendo da inflação para aumentar o imposto sobre as pessoas físicas:

“Tendo em vista que o salário mínimo cresce bem acima da inflação, se a tabela do IR continuar sendo corrigida da forma atual, em alguns anos poderemos não ter mais faixas isentas de imposto. Há poucos anos era inimaginável que uma pessoa que ganhasse 3 salários mínimos tivesse de pagar e declarar imposto de renda, como acontece hoje”, alerta Maron.

A falta de informação, explica Maron, leva muitos dos contribuintes nessa faixa de rendimentos a não fazerem declaração de IR, o que poderia minimizar a perda com o recebimento de uma restituição total ou parcial.

Revista Incorporativa

Inflação ficará acima do teto em boa parte do ano

A alta de 0,55% no índice oficial de inflação (IPCA) em abril surpreendeu negativamente, ficando acima do teto das projeções (0,42% a 0,54%), o que evidencia que o quadro inflacionário segue complicado. Em 12 meses, ainda que com alguma desaceleração em relação a março, a inflação é de 6,49%, ao redor do teto da meta estabelecida pelo governo (6,5%).

 

Uma das surpresas negativas foi, mais uma vez, a inflação da alimentação, que resiste a desacelerar mais significativamente, com 0,96% ante 1% na prévia do índice de abril (IPCA-15). De um lado, os produtos in natura mostraram desaceleração, mas a alta ainda é significativa. De outro, os preços de leites e derivados, cereais, panificados e farinhas aceleraram em relação ao IPCA-15, impedindo uma redução na variação de preços do grupo.

 

Ainda que a alta dos preços de alimentos continue a incomodar, a culpa pela inflação mais elevada vai além desse item. A média das medidas de núcleos (cálculos que retiram da conta os itens mais voláteis) atingiu 0,54% no IPCA ante 0,48% no IPCA-15. Além disso, o índice de difusão (porcentual dos preços que estão subindo), exceto alimentos, mostrou ligeira queda, de 69,9% para 68% na mesma comparação, mas segue elevado.

 

Reforça essa análise de que a alta de preços é mais generalizada o comportamento dos preços de serviços (sem considerar o item passagem aérea, devido à elevada volatilidade), que voltaram a acelerar, de 0,67% para 0,72% entre a prévia e o IPCA de abril, com 8,45% em 12 meses.

 

Diante desse quadro, a expectativa é de uma inflação acima do teto da meta em boa parte do ano. Ainda que em abril tenha recuado para 6,49%, a inflação em 12 meses voltará a romper o limite superior da meta em maio, e deve ficar até agosto. Assim, a projeção de 5,6% da Tendências para a inflação no ano passa a ter viés de alta. A pequena alta de juros sinalizada pelo Banco Central não altera esse viés, tendo em vista a obstrução dos canais de atuação da política monetária, assim como os efeitos já evidentes na curva futura de juros e a retomada da tendência de alta das expectativas de inflação.

 O Estado de S. Paulo

Baixo crescimento e preços em alta fazem Brasil viver estagnação, dizem especialistas

A expectativa de que o país enfrentará mais um ano de baixo crescimento e inflação próxima do teto da meta acendeu o alerta para a trajetória da economia brasileira. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o termo estagflação descreve adequadamente o cenário econômico atual, apesar de o fenômeno não se repetir na mesma intensidade que há 40 anos.

Criado na década de 1970, o vocábulo significa a combinação de estagnação da economia com preços em alta. A palavra foi usada para descrever a economia mundial depois do primeiro choque do petróleo, quando o reajuste dos combustíveis provocou a elevação repentina de custos, que fez a inflação aproximar-se de 10% ao ano em alguns países desenvolvidos, e interrompeu o crescimento econômico em todo o mundo.

Para os economistas, a inflação em alta e o crescimento baixo indicam que o modelo de crescimento baseado na expansão do consumo, que impulsionou a economia brasileira nos últimos dez anos, esgotou-se. De acordo com eles, o Brasil só conseguirá sair dessa situação se fizer mudanças estruturais que destravem o investimento e aumentem a competitividade do país.

Ex-diretor do Banco Central (BC), Carlos Eduardo de Freitas concorda que o país atravessa um cenário de estagflação. Por um lado, o mercado de trabalho aquecido, com pleno emprego e renda da população em alta, pressiona a inflação. Por outro, a falta de investimentos em infraestrutura e a utilização elevada da capacidade da indústria, mostram que a oferta continua estagnada. “Numa economia operando a pleno emprego e com a capacidade instalada totalmente comprometida, não tem como o país crescer muito sem pressionar a inflação”, destaca.

Para Freitas, as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB – a soma das riquezas produzidas no país), oficiais e do mercado financeiro, só estão em torno de 3% neste ano porque já incorporam as projeções de inflação próxima de 6,5% (teto da meta). “Esse nível de crescimento só poderia ser atingido se a indústria tivesse capacidade ociosa. A capacidade de crescimento com inflação no centro da meta [4,5%] está em apenas 1%, no máximo 1,5%”, diz.

Professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Robson Gonçalves também acredita que o país passa um período de estagflação desde 2011. “Nos anos [1970], o termo era usado em outro sentido, mas não acho a palavra exagerada para descrever a economia brasileira hoje”, declara. Ele também acredita que o principal entrave para o crescimento não é a demanda, mas a falta de investimentos, públicos e privados, que melhorem a infraestrutura e aumentem a produção.

Em 2011, o PIB brasileiro cresceu 2,7% e a inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 6,5%. No ano passado, o PIB cresceu apenas 0,9%, com inflação de 5,84%. Para este ano, as instituições financeiras projetam crescimento de 3% para a economia e IPCA de 5,68%, segundo o Boletim Focus, pesquisa divulgada toda semana pelo Banco Central. A previsão para o PIB, no entanto, pode cair depois do reajuste de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, decidido na última quarta-feira (17).

Na avaliação dos dois especialistas, o governo está lidando de forma errada com o cenário de baixo crescimento e inflação em alta. “Em vez de procurar enfrentar os motivos que travam o investimento, o governo continua a estimular o crédito e a reduzir impostos”, critica Gonçalves. Para ele, a mudança de política econômica dos últimos anos provocou o receio dos empresários de investir. “O governo mexeu nos pilares da política econômica, reduzindo o superávit primário [a economia que o governo faz para honrar compromissos financeiros, inclusive o pagamento de juros da dívida] e usando outros instrumentos para controlar a inflação. Isso cria incerteza e inibe o investimento privado”, acrescenta.

O ex-diretor do Banco Central também cita o aumento da incerteza entre os grandes investidores como o principal fator que tem impedido o crescimento econômico, mesmo com os estímulos dados nos últimos anos, como os financiamentos subsidiados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os leilões de concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos. “A decisão de investimento depende de expectativas. Se o empresário não tiver segurança de que o governo deixará de intervir na economia, não investirá, mesmo com esses incentivos”, alega.

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Governo propõe flexibilização da meta fiscal de 2014

O governo federal quer flexibilizar a política fiscal no próximo ano, com aumento da margem de desconto na meta de superávit primário e o fim da obrigatoriedade da União compensar resultados fiscais baixos de Estados e municípios, de acordo com proposta encaminhada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira.

A medida, segundo o governo, visa garantir recursos para estimular a atividade econômica e os investimentos, mas há o temor de que uma política fiscal mais frouxa possa prejudicar o combate à inflação.

A proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2014 prevê meta de superávit primário do setor público consolidado de 167,4 bilhões de reais. A possibilidade de abatimento será de até 67 bilhões de reais, entre gastos com investimento e desoneração, acima dos 65 bilhões de reais estipulados para 2013.

E, pela primeira vez, o Executivo propõe que o governo federal não tenha a obrigação legal de compensar os Estados e municípios, caso estes não cumpram suas metas de primário –economia feita para pagamento de juros. Com isso, segundo o governo, sobrariam mais recursos para serem usados em investimentos.

Do total da meta de superávit primário do setor público consolidado, 116,1 bilhões de reais deverão ser economizados pelo governo central (governo federal, Banco Central e INSS) e 51,2 bilhões pelos Estados e municípios. As estatais federais não terão meta de economia fiscal.

“Temos condições de fazer primário anticíclico, de monitorar as variáveis fiscais para que a economia cresça num ritmo desejado”, afirmou o secretário do Tesouro, Arno Augustin, a jornalistas.

Segundo ele, essa medida também é importante porque ajuda a estimular o investimento nos Estados e municípios, uma vez que esses gastos poderão ser abatidos também da meta dessas esferas. Porém, isso ocorrerá dependendo da situação da economia. “Havia essa possibilidade (de abatimento de investimento da meta de primário) para o governo central e julgamos que era necessário permitir isso para Estados e municípios”, acrescentou Augustin.

O secretário disse que o governo optou por flexibilizar a meta, ao invés de reduzi-la, para deixar claro que o espaço fiscal maior será usado exclusivamente para investimentos e para estímulo ao crescimento.

O economista da Austin Rating, Felipe Queiroz, questionou contudo se esta flexibilização na LDO permitirá maior investimento ou se será usada para ampliar os gastos de custeio, o que teria um efeito inflacionário importante.

“A grande pergunta é se realmente o governo vai poder aumentar investimento ou subir o gasto corrente. Se essa flexibilização for para gasto corrente, isso teria um efeito inflacionário importante”, disse Queiroz.

A inflação brasileira estourou o teto da meta do governo em março, ao acumular alta de 6,59 por cento em 12 meses. Ao divulgar o mais recente Relatório de Inflação, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, ressaltou que o cumprimento da meta de superávit fiscal cheia –sem o desconto de desonerações e investimentos do PAC– ajudaria no combate à inflação.

No ano passado, o setor público brasileiro não cumpriu a meta cheia de superávit primário e foi obrigado a descontar 34,9 bilhões de reais e a fazer manobras fiscais para fechar o rombo. Um dos motivos, além do baixo crescimento da economia, foi o fraco resultado fiscal de Estados e municípios, que cumpriram apenas 21,5 bilhões de reais da meta de 42,7 bilhões de reais dos governos regionais.

Mas apesar do aumento dos gastos públicos, a economia brasileira cresceu apenas 0,9 por cento em 2012, no pior resultado em três anos, enquanto a inflação chegou muito perto do teto da meta, ao encerrar o ano em 5,84 por cento– a meta de inflação do governo é de 4,5 por cento ao ano, com uma banda de tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, defendeu a medida alegando que ela é importante para o país. “Essa decisão apenas reflete o fato que, se for para aumentar o investimento, você pode ter uma pequena flexibilização da meta dos Estados. É bom para o Brasil e para a sustentação da política fiscal de longo prazo”, disse ele após reunião no Senado com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Lindbergh Farias (PT-RJ).

A atividade econômica não mostrou, até agora, recuperação mais consistente. O sinal mais evidente da fraqueza da recuperação foi o recuo das vendas no varejo em fevereiro, por conta de uma demanda mais fraca devido à inflação elevada.

PREVISÕES

No primeiro retrato da economia para 2014, o último do mandato da presidente Dilma Rousseff e um ano eleitoral, os ministérios da Fazenda e do Planejamento projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 4,5 por cento neste ano, mais do que 2013, cuja estimativa foi reduzida a 3,5 por cento nesta segunda-feira pelo próprio governo, ante 4,5 por cento previstos até então.

Economistas consultados pelo BC, via pesquisa Focus, veem que o PIB crescerá 3 por cento neste ano e 3,5o por cento em 2014.

Pelo projeto da LDO de 2014, o salário mínimo ficará em 719,48 reais no próximo ano, com a inflação medida pelo IPCA fechando a 4,5 por cento –o centro da meta oficial– e a Selic em 7,25 por cento, atual patamar.

Ao mesmo tempo, para 2013, o governo piorou as previsões para a inflação, subindo para 5,5 por cento, ante 4,5 por cento da indicação anterior.

A proposta de LDO foi encaminhada ao Congresso e deverá ser aprovada a tempo de o governo formular a proposta de Orçamento da União para 2014, que deverá ser enviada ao Legislativo até o fim de agosto.

 

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Focus: mercado projeta PIB menor e inflação maior em 2013

Os principais destaques do relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira são a redução de projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2013 e o aumento na inflação. As projeções do mercado para o crescimento do PIB em 2013 passaram de 3,10% para 3,09%.

Enquanto isso, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve atingir 5,70% neste ano, projeção acima da divulgada semana passada (5,69%). Para 2014, o relatório manteve a projeção de variação positiva de 5,50% no índice.

 

Entre outros índices de preços, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) subiu de 5,17% para 5,18%. A projeção do IGP-M para 2013 aponta 5,16%, valor menor que o apontado anteriormente (5,20%).

Selic estável para 2013
De acordo com o boletim, que compila a opinião de mais de 100 analistas do setor financeiro do País, a estimativa para a taxa Selic mantém-se em 7,25% ao ano.

Já a produção industrial mostrou queda na passagem semanal, indicando crescimento de 2,86% em 2013, ante projeção de 3,10% na semana anterior. Para 2014, a estimativa aumentou para 3,75%.

Mediana
Agregado
2013 2014
25/02 04/03 25/02 04/03
IPCA (%) 5,69 5,70 5,50 5,50
IGP-DI (%) 5,17 5,18 5,00 5,00
IGP-M (%) 5,20 5,16 5,20 5,23
Taxa de Câmbio (R$/US$) 2,00 2,00 2,05 2,05
Selic – fim de período  (% ao ano) 7,25 7,25 8,25 8,25
PIB (% crescimento) 3,10 3,09 3,60 3,65
Produção Industrial (% crescimento) 3,10 2,86 3,50 3,75
Balança Comercial (US$ bilhões) 15,20 15,00 15,60 14,50
Investimento Estrangeiro Direto (US$ bilhões)  60 60 60 60

Banco Central

Inflação muda de patamar e previsão para ano é de 6%

Pressionada pelos preços dos alimentos e dos serviços, a inflação subiu um degrau e deve continuar em alta a maior parte deste ano. Até setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 m-ses deve ser igual ou superior a 6%, preveem economistas. A inflação encerrou 2012 com alta de 5,84%, o terceiro resultado consecutivo acima do centro da meta de 4,5%  traçada pelo Banco Central (BC). A mudança de patamar do custo de vida no País é ratificada pelos investidores. A taxa de inflação embutida na remuneração dos títulos do governo brasileiro vendidos no mercado financeiro aponta para um IPCA superior a 6,5% este ano e um pouco abaixo de 6%, mas com tendência de alta, para 2014 e 2015, segundo levantamento da LCA Consultores feito com base nas negociações efetivas desses papéis. “Isso significa que há investidores apostando dinheiro na alta da inflação”, observa o economista da consultoria, Antonio Madeira. É consenso entre os economistas de consultorias privadas, bancos e institutos de pesquisa independentes que o IPCA gire em torno de 6% boa parte do ano.

O alívio na inflação, pondera Fábio Romão, economista da LCA responsável por essa projeção, é esperado só para o último trimestre. A partir de outubro, diz ele, o impacto do choque de preços agrícolas de 2012 deve sair da conta do IPCA acumulado em 12 meses, com inflação fechando o ano em 5,3%. Em2012, a alimentação subiu 9,86%e a perspectiva para este ano é de uma alta ainda forte, de 6%.  Na semana passada, analistas ouvidos pelo Boletim Focus do BC elevaram de 5,47% para 5,49% a perspectiva de inflação para 2013. Em um mês, o mercado aumentou em 0,10 ponto porcentual a projeção para 2013.

Risco.

Já a economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro, espera inflação de 6% para 2013 e não vê alívio nos preços dos alimentos. Ao contrário: ela diz que o grande fator de risco inflacionário hoje é o clima. Primeiro, porque o impacto da seca já ameaça a redução de 20% na tarifa de energia elétrica anunciada pelo governo no fim de 2012 para vigorar no mês que vem, um dos poucos fatores que atenuariam a inflação. É que a escassez de chuvas, que fez baixar o nível dos reservatórios das hidrelétricas, pode levar ao acionamento das termoelétricas, que têm custo maior na geração de energia. Isso pode diminuir o tamanho do corte na tarifa. O outro impacto do clima, segundo Tatiana, pode recair sobre os preços dos alimentos. Por enquanto, o governo informa que a safra será recorde. Mas, para ela, o cenário agrícola é incerto por causa da falta de chuvas. “As pesquisas mostram que a safra será muito boa.Mas, na verdade, só vamos ter certeza mais para a frente”, pondera Salomão Quadros, coordenador dos IGPs da FGV. Ele explica que, se houvesse certeza absoluta em relação à boa safra, os preços dos alimentos já estariam até caindo. Mas esse movimento ainda não foi captado pelos índices de preços agrícolas no atacado.

 O Estado de S. Paulo

“Nova” poupança perde da inflação

O resultado da inflação superou em muito o rendimento da poupança, aplicação mais popular do País. Em dezembro, por exemplo, o IPCA de 0,79% ficou bem acima do desempenho na nova poupança (0,413%) e da antiga (0,50%).

Em 2012, o País enfrentou um cenário macroeconômico incomum. A taxa básica de juros caiu, enquanto a inflação aumentou. O resultado foi que a nova poupança perdeu da inflação entre setembro e dezembro.

Em relação ao desempenho da poupança antiga, um levantamento da Economatica divulga­do ontem mostrou que a rentabilidade nominal no ano passado foi de 6,47%, a mais baixa em 46 anos. O rendimento real (descontada a inflação) foi de 0,60%, o menor desde 2004.

O novo cálculo para o rendimento da poupança começou a valer para depósitos realizados a partir de 4 de maio. A nova rentabilidade está atrelada a 70% da Selic e vale no cenário em que a taxa de juros estiver em 8,5% ou menos. Para os depósitos realizados antes dessa data, continua o rendimento mensal de 0,5% mais a Taxa Referencial (TR).

Atratividade. A mudança na forma de tributação não tirou a atratividade de poupança. Pelo contrário. De maio até dezembro, a captação foi de R$ 45,6 bilhões  segundo o Banco Central. ;Em todo o ano passado, a captação foi de R$ 49,7 bilhões. O valor apurado superou o recorde anterior, de R$ 38,7 bilhões em 2010 e ficou 250% acima do resultado de 2011 ( R$ 14,2 bilhões)

Apesar do aumento, houve queda nos rendimentos creditados no período. Os recursos que foram depositados na poupança renderam 2% menos do que o verificado em 2011. “À poupança continua competitiva, apesar de todas as mudanças”, afirma Fábio Colombo, administrador de investimentos. A grande vantagem da aplicação é não ter cobrança de Imposto de Renda e taxa de administração. Além disso  a aplicação está garantida em até R$ 70 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

É importante lembrar que a redução da taxa básica de juros da economia também afetou os fundos mais conservadores, como os Dl e de renda fixa. “Esse recorde na captação da poupança não veio somente de pessoas de baixa renda, sem acesso a taxa de retomo maior. A poupança passou a ser uma boa alternativa com essa redução dos juros”, diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Com a taxa de juros atual em 7,25% ao ano, a nova poupança tem um rendimento superior aos fundos que cobram taxas de administração acima de 1,5% ao ano, mostra um estudo da Ane­fac. A poupança antiga continua imbatível e é melhor do que to­dos os fundos de renda fixa. “Na­da ganha da poupança antiga. Ela é imbatível”, diz Oliveira.

Na avaliação de Ricardo Rocha, professor do Insper, a elevada cap­tação da poupança é fruto da preocupação do brasileiro em poupar, sobretudo no cenário em que a inadimplência teve forte alta em 2012. “Eu acredito que a alta do endividamento e da inadimplên­cia fizeram a família ter um pouco mais de preocupação com relação a guardar dinheiro. Além disso, para quem começa com pouco, a sugestão mais comum é sempre ir para a poupança.”

Pesquisa. O fim do ganho fácil com juro tem de levar o brasilei­ro a pesquisar e a estudar novas modalidades de investimentos, alertam os especialistas. “Há uma falta de conhecimento com os investimentos”, afirma Mau­ro Calil, educador financeiro. Co­mo uma das alternativas para a poupança, ele sugere, por exem­plo, o Tesouro Direto ou o CDB de bancos médios. “No caso do CDB, você consegue fazer aplica­ção a partir de R$1.”

O Estado de S. Paulo