Fatura

O regime tributário pode salvar ou quebrar sua empresa

Uma escolha infeliz pode comprometer a saúde financeira da empresa ao impedir a compensação de créditos ou sujeitá-la a alíquotas mais elevadas.
São basicamente três regimes tributários previstos no Brasil: Lucro Real, Presumido e Simples Nacional.
Existe ainda a opção para empreendedores que desejam entrar na formalidade se tornando um Microempreendedor Individual (MEI), desde que não faturem acima de R$ 60 mil ao ano.
Optar entre um regime ou outro é um exercício que vai além da simples análise das alíquotas tributárias.
Uma empresa do Lucro Real deduz 9,25% de Pis e Cofins sobre o faturamento, enquanto a alíquota desses impostos para uma empresa do Lucro Presumido é de 3,65%.
Porém, o Lucro Real permite às empresas descontarem, por meio de crédito, os valores do Pis e Cofins aplicados sobre insumos usados ao longo da cadeia produtiva.
Já as empresas do Lucro Presumido, embora estejam submetidas a uma alíquota de Pis/Cofins menor, não geram créditos que possam ser compensados mais à frente.
Ou seja, o cálculo do Pis e da Cofins precisa ser considerado na escolha do regime tributário. Mas é preciso ir além, segundo Marcia Ruiz Alcazar, vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP).
Ela afirma ser necessário conhecer o perfil fiscal dos fornecedores e clientes antes de optar pelo regime tributário mais adequado.
“É importante saber onde estão os fornecedores. Vale lembrar que existem mais de 20 leis diferente para o ICMS, que mudam de acordo com o Estado”, disse Marcia em palestra realizada na quarta-feira (23/11), durante o Conselho do Setor de Serviços da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Segundo Marcia, de uma maneira geral, o Simples Nacional é a melhor opção para o comércio e a indústria. Já para empresas do setor de serviços, a vantagem é relativa.
Por exemplo, uma empresa de serviço que fatura até R$ 3,6 milhões ao ano, e que realiza uma atividade que a possibilite seguir as alíquotas do Anexo 3 do Simples, estará sujeita a uma alíquota de 17,42% sobre o faturamento.
Essa mesma empresa, se optasse pelo Lucro Presumido, seria tributada em 18,22% e, caso escolhesse o Lucro Real, a alíquota seria de 18,77%.
Porém, se o tipo de serviço prestado por essa empresa a colocar no Anexo 6 do Simples, esse regime deixa de ser interessante. A alíquota, nesse caso, seria de 22,45%, tornando o Lucro Presumido e o Real mais atraentes.
“O Anexo 6 do Simples é impeditivo, ruim praticamente em todas as comparações. Ela foi vendida pelo governo como um benefício, já que neste anexo foram incluídas diversas atividades que não podiam optar pelo Simples Nacional. Mas na realidade não beneficia ninguém”, disse a vice-presidente do CRC-SP.
TETO
Vale lembrar que há condicionantes para se enquadrar no Simples Nacional. Além da atividade da empresa, há um teto para o faturamento, hoje limitado em R$ 3,6 milhões ao ano.
Quem supera esse valor terá de escolher entre Lucro Real e o Presumido. Nesse caso de impedimento ao regime simplificado, para uma empresa do comércio, Marcia diz que quando as despesas ou custos representarem mais de 80% das receitas, o Lucro Real tende a ser mais vantajoso.
Para as indústrias impedidas de optar pelo Simples, o Lucro Real só serámais interessante do que o Presumido caso as despesas ou custos superem 74% das receitas.
Já para as empresas de Serviços, quando o Simples Nacional não for uma escolha boa ou possível, o Lucro Real só é mais vantajoso que o Presumido quando as despesas/custos ultrapassarem 60% das receitas.
A HORA É AGORA
Com o ano chegando ao fim, é o momento de o empresário se debruçar sobre os números da empresa e escolher o regime tributário que melhor atende às suas necessidades. E neste ano, há mais um elemento que precisa ser considerado quando dessa opção: a crise econômica, diz Márcio Massao Shimomoto, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP).
A crise afeta as margens das empresas, têm reflexo sobre os seus mercados de consumo, o que leva o empresário a analisar nos produtos, que possuem tributação distintas dependendo do regime adotado.
“É fundamental que o empresário realize um amplo trabalho juntamente com seu assessor contábil, estudando os números, fazendo uma radiografia do negócio, realizando comparativos e simulações, antes de optar pelo regime ideal, pois a opção não pode ser alterada em todo o ano-calendário”, diz Shimomoto.
Diário do Comércio

Golpe bancário chega às redes sociais

Os golpes bancários que atormentam clientes nas agências, no telefone e no e-mail, agora chegaram às redes sociais. Por meio de páginas falsas na internet, fraudadores se passam pelo canal de atendimento oficial dos bancos e solicitam dados bancários e pessoais dos correntistas.
A reportagem do DIA presenciou uma tentativa de golpe deste tipo ao solicitar a resolução do problema com um cartão de crédito em uma página do Itaucard no Facebook. Imediatamente após o relato do caso na fanpage oficial do serviço, uma página falsa denominada “Banco Itaú” solicitou a amizade do cliente e iniciou uma conversa privada se passando por um atendente do banco.
Para “resolver” o problema, o golpista pediu o número do cartão, do código de segurança, o CPF e o telefone do cliente.
A diferença entre a página original do Itaú e a falsa era sutil. Os operadores da página falsa copiavam as mesmas postagens do perfil oficial, de forma que a aparência era bastante similar. Entretanto, uma era verificada (há um símbolo azul ao lado do nome de páginas certificadas) e a outra, não.
Procurado, o Itaú informou que não transaciona em redes sociais. “No caso mencionado a recomendação é procurar imediatamente as instituições envolvidas, não compartilhar dados pessoais e remover página falsa do seu perfil”, informou. No Facebook do banco, há um alerta contra perfis falsos. A instituição também informou que o fato ocorreu fora do ambiente do banco e orientou a procura da empresa onde a fraude ocorreu. Em nota, o Facebook informou que não comenta casos específicos.
As abordagens nas redes são mais uma armadilha em meio a outras que tem circulado entre os clientes e bancos. Uma que se tornou comum é o golpe do boleto, em que cobranças fasas são substituídas pelas verdadeiras. O pai da estudante Luiza Riquelme, 19 anos, teve a fatura do cartão clonada. “Ele pagou a fatura errada e só percebeu quando recebeu a fatura correta, dias depois”, conta ela, que diz que seu pai está tentando reaver o dinheiro.
Cinco orientações para não cair na nova trapaça
Há maneiras de verificar se uma página é verdadeira nas redes sociais. O Twitter e o Facebook, por exemplo, possuem selos de verificação que ficam ao lado do nome da instituição.
Outra dica para saber se uma página é verdadeira é observar o número de seguidores. As oficiais de bancos costumam ter milhões de seguidores.
O cliente deve observar se a página em questão é um perfil ou uma fanpage. As fanpages são usadas por corporações e empresas e não solicitam amizade de usuários. Já os perfis são voltados para pessoas físicas.
A Febraban informa que os bancos nunca solicitam a senha do cliente por telefone, e-mail ou redes sociais. A Federação recomenda que os clientes sempre acessem o internet banking a partir da digitação completa do endereço no navegador (browser).
O Facebook informa que é possível denunciar páginas suspeitas. Há um botão no alto, na lateral direita das páginas, em que há a opção de denúncia.
O Dia