Expectativas

Micro e pequeno empresário está mais confiante

O Indicador de Confiança da Micro e Pequena Empresa de Varejo e Serviços (ICMPE) atingiu 50,6 pontos em outubro, maior patamar desde maio de 2015.
O indicador, calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), estava em 38,7 pontos em outubro do ano passado.
O levantamento leva em conta a percepção econômica dos últimos seis meses e as expectativas econômicas dos MPEs e mostrou que 71,1% dos empresários consideram que houve piora na economia do último semestre.
Além disso, 56,9% afirmaram que seus negócios também pioraram, sendo a crise o principal motivo.
Em relação às perspectivas econômicas, 53,2% dos MPEs de varejo e serviços se declararam confiantes com o futuro da economia brasileira.
Em outubro de 2015, esse item registrava 31%. Dos que se disseram pessimistas a respeito da economia, 34,1% afirmaram ser por causa das incertezas políticas. Em relação ao próprio negócio, 69% se mostraram confiante.
Diário do Comércio

Recessão deve se estender a 2016, preveem bancos

A recuperação da economia brasileira deverá ser mais lenta do que o previsto. As projeções de bancos e consultorias para o crescimento do Brasil no ano que vem pioraram nas últimas semanas, e o risco de uma recessão entrou no radar dos analistas.
Essas expectativas mais negativas contrariam a aposta inicial da equipe econômica. Com o ajuste na política fiscal e monetária em andamento, o governo esperava uma recuperação do crescimento no fim deste ano ou no início de 2016.
Em meio à visita de sua equipe ao Brasil, para analisar o rating soberano do país, a agência de classificação de risco Moody’s divulgou nesta quinta-feira (16/07) relatório no qual afirma que a atividade econômica fraca continuará sendo um desafio para as empresas brasileiras pelo menos até meados de 2016.
No texto, a Moody’s diz que o PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos pelo país) deve recuar 1,8% este ano, em meio a incertezas políticas, inflação elevada e deterioração na confiança dos investidores. Já para 2016 é esperado um crescimento de 1,0%.
“A economia do Brasil encolheu 1,6% no primeiro trimestre de 2015, comparado com o mesmo período do ano anterior – pior do que a queda de 0,2% no quarto trimestre do ano passado”, diz no documento o vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Marcos Schmidt.
O prognóstico ainda positivo da Moody’s para o Brasil em 2016 não é seguido pelos bancos brasileiros. Neste caso, a deterioração esperada para o próximo ano é acompanhada de um cenário ainda mais adverso para 2015.
Nos últimos dias, os bancos Itaú e Bradesco deram o tom de mais uma rodada da piora das expectativas para este biênio.
Na quarta-feira (15/07), o Itaú alterou a projeção de recessão deste ano de -1,7% para -2,2%. Para 2016, passou a projetar uma contração de 0,2%, ante uma previsão anterior de crescimento de 0,3%.
“Uma recuperação moderada ao longo do próximo ano não deve ser suficiente para compensar a queda já ocorrida na atividade (herança estatística) no crescimento médio de 2016”, informou o relatório do banco.
Para o Bradesco, a economia brasileira deverá recuar 1,8% este ano e, em 2016, o PIB deverá ficar estagnado. “O ano de 2016 herdará um carrego estatístico muito negativo que virá de 2015”, disse Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco.
A projeção do Santander também ficou mais pessimista. Nas contas do banco, o PIB deve ter contração de 1,9% este ano e a expansão prevista para 2016 é de apenas 0,1%.
O entrave para a recuperação da economia brasileira se dá porque a maioria dos setores não tem exibido sinais de recuperação. Neste ano, a desaceleração também chegou ao mercado de trabalho, o que deve dificultar a saída da recessão.
“O consumo das famílias, o consumo do governo e o investimento das empresas não devem estar funcionando plenamente em 2016. Então, é difícil acreditar que a economia brasileira possa mostrar uma variação positiva da taxa de crescimento”, disse Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra.
O cenário econômico difícil se soma à turbulência política. A gestão Dilma Rousseff tem tido dificuldade para negociar as medidas de ajuste com o Congresso e ainda lida com os efeitos da Operação Lava Jato.
O governo também vai ter de explicar as “pedaladas fiscais” no Tribunal de Contas da União (TCU). “Nós tivemos um período político completamente atípico, com a presidente em crise profunda com sua base, atrasando o ajuste econômico, que deveria ter sido rápido.
Com isso, o que era para ter sido feito no fiscal e na política monetária rapidamente, no começo do ano, como choque de credibilidade, atrasou”, afirmou Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Diário do Comércio, Estadão

Tendência é de deterioração do emprego em 2015

A geração de postos de trabalho no Brasil deve melhorar em dezembro, mas a tendência ainda é de deterioração em 2015, segundo os dados dos Indicadores do Mercado de Trabalho – Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) e Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
O IAEmp, que mostra a expectativa da variação do pessoal ocupado para os próximos meses, avançou 2% em dezembro ante novembro. Já o ICD, que retrata a percepção das famílias sobre a taxa de desemprego, recuou 1,1% no período.
“Acontece muito com as sondagens de expectativas, quando você tem um resultado muito negativo, no mês seguinte ele tenta compensar com uma variação positiva. Mas a gente não espera que (a melhora) se mantenha. Está mais para uma correção de expectativas do que para uma tendência positiva”, explicou Sarah Piassi Lima, pesquisadora do Ibre/FGV, lembrando que os indicadores registraram forte deterioração ao longo de 2014.
O IAEmp começou o ano passado aos 86,1 pontos. Em dezembro, o indicador já tinha caído para 76 pontos. “Como caiu muito, agora houve uma melhora, mas não deve ser uma retomada do emprego. Esse indicador não vai voltar ao patamar de maio de 2014 (aos 79,3 pontos). A tendência para os próximos meses é que fique estável ou que volte a cair gradualmente”, disse Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Departamento de Economia Aplicada do Ibre/FGV.
Segundo Moura, o indicador mostra que o emprego deve registrar alguma melhora em dezembro, ou até fevereiro, no máximo. O índice já desconta os efeitos sazonais, como o tradicional aumento nas contratações durante as festas de fim de ano. Entretanto, a última vez em que o IAEmp esteve em patamar tão baixo foi no começo de 2009, época da crise financeira mundial.
Entre os setores que puxaram a melhora em relação a novembro está a indústria. “Melhorou mais a situação dos negócios da indústria, não tanto a questão do emprego previsto”, ponderou Moura.
No caso do Indicador Coincidente de Desemprego, o resultado aponta para uma expectativa de redução na taxa de desemprego em dezembro. “Se nosso indicador estiver certo, a taxa de desemprego deve cair de novembro para dezembro, já considerando o ajuste sazonal. De qualquer forma, há tendência de alta. O ICD deve permanecer subindo, o que significa que o desemprego vai subir, principalmente por causa do aumento da PEA (população economicamente ativa). A oferta de trabalhadores deve aumentar em 2015”, previu Moura.
FolhaWeb